Mateus Pivato, diretor executivo da Associação Brasileira de Angus (Foto: Lucas Nunes).
As vendas de sêmen da raça angus cresceram 31,2% em 2025, segundo dados apresentados pela Associação Brasileira de Angus. O cenário é bem diferente do observado entre os anos de 2021 e 2023, quando apresentaram uma retração de 38%. Em 2024, o mercado reagiu, subindo 1,5%.
Para o diretor executivo da entidade, Mateus Pivato, o avanço foi impulsionado pelo ciclo pecuário e pela demanda por carne de qualidade. “Quando analisamos os dados, observamos que quando há um aumento no preço do bezerro e do boi gordo, a comercialização de sêmen também sobe”, afirmou.
O desempenho, segundo ele, também acompanha o crescimento do Programa Carne Angus Certificada, que registrou mais de 612 mil animais abatidos em 2025. Há mais de 20 anos, técnicos da entidade, em parceria com a indústria, varejos e restaurantes, acompanham todo o processo de produção dos cortes que levam o selo de certificação da associação, conforme critérios públicos.
Recuperação após retração
Pivato afirmou que o momento atual difere do cenário observado em 2020, ano recorde para a raça. “O mercado de corte como um todo cresceu na casa dos 8%, enquanto o angus cresceu 31,2%”, afirmou.
Além disso, neste período, a associação observou um aumento na absorção de animais meio-sangue angus pelo mercado. “A gente vê um momento diferente, com muito mais absorção desse animal, tanto pelo Programa Carne Angus Certificada – que praticamente dobrou o abate quando comparado aquela época.”, disse.
Mercado externo amplia demanda
De acordo com o executivo, a redução de rebanhos em países produtores abriu espaço para a carne bovina brasileira. “A própria Europa vem reduzindo seus rebanhos nos últimos anos e isso vem sendo visto como algumas lacunas de oportunidade que o Brasil pode assumir”, afirmou.
Pivato citou ainda Estados Unidos, Austrália e Argentina como mercados relevantes no segmento de carne de qualidade. Para ele, o cenário internacional cria demanda para animais oriundos do cruzamento industrial com angus.
Reprodutor da raça Angus. Foto: ABA.
O diretor da associação afirmou que o cruzamento entre angus e nelore segue como principal vetor para o avanço da genética da raça no Brasil. Segundo ele, a combinação entre as duas raças reúne características ligadas à adaptação, qualidade de carne e desempenho produtivo.
“O cruzamento industrial com nelore é a grande alavanca para venda de sêmen da raça angus. É uma dádiva que a gente tem aqui no Brasil, produção em clima tropical de carne de qualidade. Eu acho que a gente tem um diamante na mão. São duas raças que vêm fazendo trabalhos fantásticos”, afirmou.
Pivato também destacou a evolução genética do nelore. “O nelore também vem evoluindo muito em qualidade de carcaça, precocidade. Então cada vez mais esse casamento de interesses vem produzindo um produto melhor”, disse.
Genética ganha espaço na pecuária
Na avaliação de Pivato, a genética tende a ganhar participação nos sistemas de produção voltados à carne de qualidade, e que ela precisa atuar em conjunto com outros pilares da produção pecuária. “Não podemos esquecer dos outros pilares da zootecnia, nutrição, sanidade, manejo, mas a genética se consolida como algo extremamente importante”, disse.
Ele citou o programa de melhoramento genético da associação, o Promebo, como ferramenta para seleção de animais voltados ao mercado de carne premium. “Temos uma seleção do angus Nacional muito bem definida e que tem tudo para entregar o que o mercado deseja”, afirmou.