O Ministério da Saúde anunciou a inclusão de uma calculadora de idade corrigida e das Curvas Internacionais de Crescimento para Crianças Nascidas Pré-termo no prontuário eletrônico da Atenção Primária à Saúde (APS), o PEC e-SUS APS. O sistema passa a disponibilizar uma funcionalidade para a realização do cálculo automático. A ferramenta já está disponível para os 4.318 municípios os quais utilizam o sistema, o que representa aproximadamente 80% dos municípios brasileiros.
A iniciativa significa um avanço importante para a continuidade do cuidado no Sistema Único de Saúde (SUS) ao apoiar as equipes na aplicação do Método Canguru e no acompanhamento adequado do desenvolvimento de crianças prematuras. Por meio desse método e dos dados gerados é possível fortalecer o vínculo entre bebês, suas famílias e equipes de saúde.
“Com essas ferramentas no prontuário eletrônico PEC e-SUS APS profissionais conseguem reduzir erros e cuidar das crianças com mais precisão e segurança, além de fortalecer o acompanhamento da saúde dos bebês prematuros desde os primeiros meses de vida. Precisamos de todas as equipes envolvidas nesse cuidado, que é multiprofissional. Com o Método Canguru e as novas funcionalidades, conseguiremos qualificar ainda mais o cuidado neonatal”, explica a diretora do Departamento de Gestão do Cuidado Integral, Karina Correa Wengerkievicz.
A nova funcionalidade de idade corrigida foi desenvolvida para possibilitar uma avaliação mais precisa do crescimento e desenvolvimento de bebês prematuros a partir de um ajuste na idade cronológica da criança, considerando o número de semanas de prematuridade ao nascimento. Nesse sentido, se um bebê nasceu dois meses antes do previsto, quando ele completar quatro meses de vida, seu desenvolvimento será avaliado como o de um bebê de dois meses. Dessa maneira, a ferramenta evita comparações inadequadas e avaliações erradas que podem comprometer a saúde do recém-nascido. As curvas de crescimento do prematuro também ajudam a acompanhar peso, altura e perímetro encefálico usando referências específicas para crianças prematuras, qualificando o cuidado prestado.
Atenção neonatal
Além da incorporação da calculadora de idade corrigida e das curvas de crescimento, o Ministério da Saúde também reforça duas novas iniciativas voltadas à qualificação da atenção neonatal. As medidas fortalecem práticas reconhecidas pelo impacto positivo na saúde e no desenvolvimento dos recém-nascidos.
Uma delas amplia as recomendações para o contato pele a pele entre mãe e bebê logo após o nascimento, inclusive em situações como cesarianas, prematuridade e internação neonatal. A orientação reforça a importância da chamada Hora de Ouro — período considerado fundamental para a adaptação do recém-nascido à vida extrauterina — e incentiva a adoção dessa prática como rotina nos serviços de saúde por seus benefícios para o vínculo afetivo, o aleitamento materno, a estabilidade fisiológica e a humanização da assistência.
Outra medida fortalece a organização do transporte neonatal de alto risco, com foco na segurança e na qualidade do cuidado durante remoções e transferências de recém-nascidos em situação crítica. As orientações abrangem equipes, equipamentos, protocolos assistenciais e organização dos fluxos de atendimento, contribuindo para a redução de complicações e para o fortalecimento das redes de atenção neonatal em todo o País.
As iniciativas dialogam diretamente com os princípios do Método Canguru ao promoverem cuidado centrado no bebê e na família, atenção baseada em evidências científicas e integração entre os diferentes pontos da Rede de Atenção à Saúde.
“Quando falamos em atenção neonatal, estamos falando de uma linha de cuidado que começa no nascimento e segue por toda a trajetória da criança na rede de saúde. Fortalecer o contato pele a pele, qualificar o transporte neonatal e ampliar ferramentas para o acompanhamento dos prematuros são ações complementares que ajudam a garantir mais segurança, vínculo e qualidade de vida para os recém-nascidos e suas famílias”, destaca o diretor do Departamento de Atenção Hospitalar, Domiciliar e de Urgência (DAHUD), Fernando Figueira.
Os anúncios foram feitos nesta sexta-feira (29) durante evento em alusão ao Dia Internacional de Sensibilização do Método Canguru, celebrado em 15 de maio.
Em 2026, a data destaca o tema “No aconchego nasce a força” com intuito de reforçar a potência do vínculo, do acolhimento e da participação da família como elementos fundamentais para o desenvolvimento, a recuperação e a sobrevivência dos bebês.
Pais de Liz, Raquel Rodrigues Silva Moreira e Paulo Henrique Alves Moreira, contaram a experiência da família com o Método Canguru. “Fomos muito bem acolhidos. O Método Canguru tem uma importância absurda na nossa vida, foi essencial. A humanização da equipe fez toda a diferença durante o nosso processo e mudou nossa visão sobre o atendimento em saúde”, contou Raquel.
O evento também reforçou o convite institucional para o Congresso Mundial do Método Canguru, que ocorrerá em Brasília, em novembro. A realização do congresso no País representa reconhecimento internacional da trajetória brasileira na implementação do Método Canguru e constitui uma oportunidade estratégica para a troca global de experiências.
Mais sobre o Método Canguru
É uma estratégia de atenção humanizada ao recém-nascido prematuro e/ou de baixo peso, baseada no contato pele a pele entre o bebê e sua família, promovendo vínculo afetivo, estabilidade clínica e participação ativa da família no cuidado, além da continuidade da atenção após a alta hospitalar.

- Foto: Davidyson Damasceno/IgesDF
O Método Canguru integra a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Criança (PNAISC), contribui para a atenção neonatal segura e humanizada, para a integralidade do cuidado, para a redução da morbimortalidade neonatal e para o desenvolvimento infantil saudável. Ele também dialoga com estratégias nacionais de qualificação da atenção materna, neonatal e infantil, incluindo a Rede Alyne e a Estratégia QualiNEO (qualificação da assistência ao recém-nascido de risco). O aperfeiçoamento do Método Canguru fortalece a integração entre maternidade, atenção especializada, atenção primária e demais pontos da Rede de Atenção à Saúde.
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Agnez Pietsch
Patrícia Coelho
Ministério da Saúde