O Sistema Único de Saúde (SUS) alcançou um marco histórico no cuidado às mulheres com câncer de mama. Pela primeira vez, o número de cirurgias de reconstrução mamária realizadas na rede pública superou o de mastectomias. Em 2025, foram registrados 19,4 mil procedimentos de reconstrução mamária, frente a 18,3 mil mastectomias.
O resultado reflete tanto o avanço da assistência oncológica, que tem reduzido a necessidade da retirada total da mama em muitos casos, quanto a estratégia implementada pelo Ministério da Saúde para ampliar o acesso ao procedimento e atender mulheres mastectomizadas que aguardavam pela reconstrução.
O número de cirurgias reparadoras também cresceu de forma expressiva em relação a 2022, quando o SUS realizou 12,3 mil reconstruções mamárias. O aumento de 57,7% foi impulsionado por investimentos do Ministério da Saúde, que incluem R$ 40,2 milhões em recursos federais e a habilitação de 176 hospitais de alta complexidade para ofertar o procedimento na rede pública.
“Estamos investindo para garantir atendimento integral às pacientes oncológicas em todas as etapas do cuidado. As mulheres brasileiras têm direito não apenas ao tratamento do câncer, mas também à recuperação da autoestima, da dignidade e da qualidade de vida. Esse resultado mostra que o SUS está avançando para oferecer um cuidado cada vez mais completo e humanizado”, afirmou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
Entre os exemplos que ilustram essa ampliação do acesso está a história da comerciante Maria Cleonildes Alves da Silva Gama, de 56 anos, moradora de Novo Gama (GO), no Entorno do Distrito Federal. Há cerca de cinco anos, ela descobriu um nódulo na mama direita, próximo à axila. Após o diagnóstico de câncer, foi submetida a uma mastectomia. Em 24 de outubro de 2025, realizou a cirurgia de reconstrução mamária no Hospital Araújo Jorge, em Goiânia, unidade onde também fez a quimioterapia e deu continuidade ao tratamento.
“É um presente que Deus me deu, e estou muito feliz. Eu estava muito ansiosa para chegar a esse momento e realizar a cirurgia de reconstrução. Não existe sensação melhor. Isso representa muito mais do que um procedimento: é a oportunidade para que várias mulheres voltem a se sentir vivas, renovadas, cheias de fé, alegria e amor”, contou Maria Cleonildes.
Ampliação das cirurgias reparadoras
Na última semana, o Ministério da Saúde anunciou a ampliação do acesso à cirurgia plástica reconstrutiva pelo SUS. Antes restrito aos casos de sequelas decorrentes do tratamento do câncer, o procedimento passa a contemplar todas as situações de mutilação mamária, total ou parcial.
A medida contará com investimento de R$ 15,9 milhões ainda em 2026. A partir de 2027, haverá um aporte anual estimado em R$ 27,4 milhões, o que representa um acréscimo de aproximadamente R$ 3,1 milhões em relação aos recursos destinados em 2025. A iniciativa permitirá ampliar e acelerar o acesso das pacientes à cirurgia reconstrutiva.
Oncologia e saúde da mulher
A estimativa do Instituto Nacional de Câncer (INCA) aponta para 78.610 novos casos de câncer de mama por ano no Brasil no triênio 2026-2028. Desconsiderados os tumores de pele não melanoma, o câncer de mama permanece como o tipo de câncer mais incidente entre as mulheres.
Na prevenção da doença, o Ministério da Saúde investiu, entre 2023 e 2025, R$ 37,8 milhões na aquisição de 27 mamógrafos e destinou outros R$ 302,4 milhões para 19 projetos voltados ao enfrentamento do câncer de mama.
Para ampliar o acesso ao diagnóstico e ao tratamento, o Governo Federal também desenvolve ações por meio do programa Agora Tem Especialistas, como mutirões e as Carretas da Saúde da Mulher, que oferecem exames como mamografia, ultrassonografia, exame citopatológico e biópsia. As iniciativas contribuem para reduzir o tempo de espera e garantir mais agilidade no cuidado às pacientes.
Eduarda Paixão
Ministério da Saúde