A resposta aos desafios globais, como as mudanças climáticas, o envelhecimento populacional e a dependência de tecnologias estrangeiras, exige agilidade, e o fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS) é peça central nesse processo. A avaliação foi destacada pela secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde (SCTIE) do Ministério da Saúde, Fernanda de Negri, na última quarta-feira (29), durante a 78ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), em Niterói (RJ).
Segundo ela, diante da frequência cada vez maior de eventos extremos, a preparação da rede de atendimento tornou-se um desafio prioritário. “Não só para eventos extremos, sobre como cuidar da saúde das pessoas durante a ocorrência desses eventos, mas também para a emergência de novos microrganismos etc. E a gente tem que ter capacidade de resposta rápida a esses desafios”, pontuou.
Para estruturar a saúde pública diante desse cenário, a secretária apresentou um panorama das iniciativas que vêm sendo desenvolvidas pela pasta. Entre as principais ações destacadas, está a promoção da pesquisa clínica local, com a sanção e regulamentação da Lei de Pesquisa com Seres Humanos e a instalação da Instância Nacional de Ética em Pesquisa (Inaep).
Também foram mencionadas estratégias como o Programa Nacional de Inovação Radical em Saúde, criado para acelerar a transformação do conhecimento científico em mais produtos, processos e serviços de interesse para a população.
A exposição contemplou ainda o Programa Genomas Brasil, que vai sequenciar 100 mil genomas para apoiar a descoberta de novos fármacos, tratamentos e melhor cuidado da saúde da população, além da Encomenda Tecnológica, focada no desenvolvimento de um dispositivo portátil para detectar tuberculose sem a necessidade de infraestrutura laboratorial complexa.
“O Brasil tem potencial para ser referência no mundo da inovação em saúde”, afirmou Fernanda De Negri, ao mencionar as vantagens competitivas do país. “Temos uma indústria que está relativamente consolidada, um sistema de saúde que atende a mais de 200 milhões de pessoas, um perfil populacional genético e fenotipicamente diverso, que nos permite também projetar, desenhar, testar novos medicamentos no país, e uma comunidade acadêmica muito produtiva e competitiva internacionalmente”, pontuou.
A participação da secretária no evento seguiu até esta sexta-feira (31), com debates sobre as “Abordagens de Machine Learning e Medicina de Redes para o Reposicionamento de Fármacos” e as “Infraestruturas de Futuro: Como o Brasil pode Liderar uma Ciência Planetária”.
Rádio Vozes do SUS
No estande do Ministério da Saúde na SBPC, a Rádio Vozes do SUS promoveu entrevistas e debates sobre desafios e soluções para a saúde pública no Brasil, reunindo representantes de instituições públicas e privadas, universidades, movimentos sociais e da sociedade civil. O espaço favoreceu a troca de experiências e conhecimentos, contribuindo para o aperfeiçoamento das políticas públicas do SUS.
Segundo o diretor do Departamento de Gestão Interfederativa e Participativa (DGIP), André Bonifácio, a participação na SBPC reforça valorização da ciência como eixo estruturante do SUS. “Trouxemos a Rádio Vozes do SUS para ampliar esse diálogo. Realizamos entrevistas com pesquisadores e instituições de todo o país. É uma oportunidade de aproximar a ciência da população e fortalecer o SUS por meio da participação social e da inovação”, afirma.
Roberta Paola
Jaciara Franca
Ministério da Saúde