SAÚDE

Ministério da Saúde promove 1º encontro intercultural entre parteiras, parteiros, lideranças e profissionais de saúde indígena do Ceará e do Piauí

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O Ministério da Saúde promove, até 5 de novembro, na Aldeia Almofala, no Ceará, um encontro intercultural entre parteiras, parteiros, lideranças e profissionais de saúde indígena do Ceará e do Piauí. Com o tema central “Saberes do Cuidar e do Nascer”, o encontro regional estimula a troca de experiências para qualificar e humanizar a atenção à gestação, ao parto, ao puerpério e ao recém-nascido.

A iniciativa inclui rodas de conversa, exposições e dinâmicas entre as parteiras, parteiros e as Equipes Multidisciplinares de Saúde Indígena (EMSI) do Distrito Sanitário Especial Indígena do Ceará (DSEI/Ceará).

Participam também representantes do Controle Social e das Secretarias de Saúde de Itarema e do Estado, além de parceiros institucionais, como a Secretaria dos Povos Indígenas (SEPIN), a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (FUNAI), a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a Agência Brasileira de Apoio à Gestão do SUS (AgSUS) e a Universidade Federal do Ceará (UFC).

O movimento indígena local e regional está representado pela Articulação das Mulheres Indígenas (AMICE), pela Federação dos Povos Indígenas do Ceará (FEPOINCE), pela Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo (APOINME) e pelo Conselho Local de Saúde Indígena do povo Tremembé.

O evento amplia a troca de experiências iniciada em junho deste ano, quando foi realizado o I Encontro Nacional de Parteiras e Parteiros Indígenas, em Porto Velho (RO). Na ocasião, representantes indígenas de todo o país reforçaram a necessidade de uma assistência à saúde que reconheça e valorize os saberes ancestrais.

Entre os resultados da iniciativa está a elaboração de guias com orientações para compartilhar conhecimentos, práticas e experiências entre parteiras e parteiros indígenas e apoiar os profissionais de saúde no diálogo intercultural e na articulação com os sistemas indígenas de cuidado, promovendo um trabalho conjunto que respeite os saberes e as formas de cuidar de cada povo.

Para a secretária de Saúde Indígena, Lucinha Tremembé, as ações promovem a escuta ativa, o diálogo e fomentam a aproximação dos saberes tradicionais com a rede de atenção à saúde. “Valorizar os conhecimentos passados de geração em geração fortalece a autonomia e a autodeterminação dos povos, promove o bem-viver nos territórios e impulsiona a construção de uma linha de cuidado à mulher indígena que respeita as culturas e as memórias ancestrais. Ao longo dos últimos anos, o Ministério da Saúde tem reafirmado o compromisso com o respeito às práticas tradicionais ao reconhecer seu protagonismo”, disse.

Guardiões dos saberes ancestrais

As parteiras e os parteiros indígenas integram os especialistas das medicinas indígenas, reconhecidos por seus próprios povos e comunidades como detentores de conhecimentos e práticas de cuidado. A Portaria GM/MS nº 10.676, de 2 de abril de 2026, reafirma esse reconhecimento no âmbito da Política Nacional de Atenção à Saúde dos Povos Indígenas (PNASPI) e do Subsistema de Atenção à Saúde Indígena (SasiSUS).

Esse reconhecimento reafirma o respeito à autonomia e à autodeterminação dos povos indígenas, aos seus conhecimentos, práticas e sistemas próprios de cuidado, sem interferência em suas formas de organização e transmissão de conhecimentos. A medida também contribui para o fortalecimento de políticas públicas que respeitem esses sistemas de cuidado.

Rayane Bueno
Ministério da Saúde

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