Para fortalecer a capacidade de resposta do Sistema Único de Saúde (SUS) nos territórios de fronteira da Amazônia brasileira, o Ministério da Saúde (MS) realiza periodicamente ações voltadas à preparação de estados e municípios diante dos impactos das mudanças climáticas e dos fluxos de mobilidade humana sobre a saúde pública. Entre as entregas realizadas no mês de junho, estão as “Oficinas de Ondas de Calor”, promovidas nos estados do Amazonas, Rondônia e Acre, e os “Simpósios Saúde nas Fronteiras da Amazônia: Migração, Mudanças Climáticas e Saúde”, realizados em Roraima e no Amapá.|
As atividades integram o projeto “Fortalecimento das Capacidades dos Municípios Fronteiriços da Amazônia Brasileira frente aos Desafios da Migração, Mudanças Climáticas e Saúde”, desenvolvido em parceria com a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS). Essa iniciativa prevê a execução de 32 ações estruturantes em 10 municípios de fronteira, com o objetivo de apoiar o desenvolvimento de estratégias integradas de prevenção, preparação e resposta a emergências em saúde pública. As ações são da Assessoria de Migração da Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente (SVSA/MS).
A secretária da SVSA, Mariângela Simão, considera o trabalho essencial para garantir repertório aos profissionais que atuam nos territórios. “Fortalecer as capacidades dos estados e municípios e apoiar a elaboração de planos de contingência é fundamental para que o SUS esteja mais preparado para responder aos impactos das mudanças climáticas e da mobilidade humana. Essa integração entre saúde, clima e migração amplia a capacidade de proteger populações vulneráveis e fortalecer a resposta às emergências em saúde pública”, disse.
Os encontros reuniram gestores estaduais e municipais, profissionais do SUS, pesquisadores e instituições parceiras para promover a qualificação técnica, o intercâmbio de experiências e o alinhamento de estratégias voltadas ao fortalecimento da vigilância em saúde, da assistência e do planejamento territorial.
Impressões territoriais
Segundo a apoiadora institucional do Centro de Informações Estratégicas de Vigilância em Saúde do Distrito Sanitário Especial Indígena do Amapá e Norte do Pará, Lais Milhomens, participar do simpósio foi uma oportunidade de avançar na atuação local. “O encontro intersetorial e interfederativo promovido pelo simpósio foi significativo para o avanço no enfrentamento dos impactos na saúde dos povos originários frente às mudanças climáticas, pois a população está entre as mais impactadas. A iniciativa permitiu o debate ampliado que um tema dessa complexidade exige”, declarou.
Para a técnica de enfermagem da Vigilância em Saúde de Macapá (AP), Débora Modesto, a experiência de participar da “Oficina Ondas de Calor” foi nova e desafiadora. “É desafiador entender os diferentes níveis do calor e como lidar com isso na prática, principalmente porque, na nossa região, vivemos com calor o ano todo e isso acaba parecendo algo normal. Mas foi um desafio positivo, pois mostrou que a gente consegue se preparar, encontrar soluções e seguir para colocar em prática o plano construído aqui”, explicou. Para ela, disseminar o conteúdo é fundamental: “no evento, a gente pôde conhecer novas plataformas que o SUS tem à disposição. Agora podemos passar essa informação aos nossos colegas de trabalho, divulgando para que todos tenham acesso”, concluiu.
Capacitação e preparação para eventos extremos
As atividades contribuíram diretamente para ampliar as capacidades institucionais e operacionais dos estados e municípios participantes, fortalecendo a preparação das equipes para lidar com os efeitos dos eventos climáticos extremos sobre os serviços de saúde e sobre a população. Embora não tenham sido estruturadas especificamente para responder ao fenômeno El Niño, as oficinas geraram insumos técnicos e ferramentas que apoiam o planejamento local e ampliam a capacidade dos territórios de antecipar riscos, organizar respostas e reduzir impactos em cenários de emergência.
Um destaque importante foi o protagonismo dos municípios participantes, garantindo que as estratégias discutidas considerassem as especificidades locais e os desafios próprios das regiões de fronteira amazônica.
A iniciativa parte do reconhecimento de que mudanças climáticas e mobilidade humana são fatores que influenciam diretamente a demanda, a organização e a capacidade de resposta dos serviços de saúde, especialmente em territórios de maior vulnerabilidade. O Ministério da Saúde integra essas agendas e promove o fortalecimento da atuação coordenada do SUS para identificar riscos de forma antecipada, qualificar a tomada de decisão e ampliar a preparação das equipes diante de cenários cada vez mais complexos.
Suellen Siqueira
Ministério da Saúde