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EUA propõem novo tarifaço contra o Brasil, mas deixam produtos agrícolas fora da lista

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Foto: White House

O governo dos Estados Unidos propôs a aplicação de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, mas parte importante do agronegócio ficou de fora da medida. A decisão foi anunciada nesta segunda-feira (1º) pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR), que concluiu uma investigação comercial aberta contra o Brasil em 2025.

Apesar do endurecimento nas relações comerciais entre os dois países, o documento divulgado pelos norte-americanos prevê uma lista de exceções que inclui diversos produtos ligados ao agro brasileiro, como carnes, frutas, café, chá, cereais, sementes, frutos oleaginosos, plantas medicinais, além de fertilizantes.

Segundo o USTR, a proposta ainda será submetida a consulta pública antes da adoção das medidas definitivas. O prazo legal para a implementação das chamadas “medidas corretivas” termina em 15 de julho de 2026.

Investigação mira práticas comerciais do Brasil

A investigação foi aberta em julho de 2025 por determinação do presidente Donald Trump, com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos. O relatório final aponta que políticas e práticas brasileiras seriam “irrazoáveis” e estariam restringindo o comércio norte-americano.

Entre os principais pontos criticados estão questões ligadas ao comércio digital, funcionamento do Pix, proteção de propriedade intelectual, combate à corrupção, desmatamento ilegal e acesso ao mercado de etanol.

No caso do etanol, os EUA alegam que o Brasil deixou de oferecer tratamento tarifário equilibrado ao combustível americano desde 2017. Já sobre o desmatamento, o relatório afirma que o país possui legislação ambiental, mas falha na aplicação efetiva das regras.

Agro escapa de parte das tarifas

Mesmo com a proposta de sobretaxa generalizada, a exclusão de itens agrícolas foi interpretada como um sinal de cautela dos EUA diante da relevância do Brasil no fornecimento global de alimentos e matérias-primas.

Além dos produtos do agro, também ficaram de fora aeronaves e peças de aeronaves, terras raras, produtos farmacêuticos, químicos orgânicos e materiais informativos.

A avaliação é que a retirada de produtos agrícolas da lista ajuda a evitar impactos mais severos sobre cadeias produtivas estratégicas e sobre a inflação de alimentos nos próprios Estados Unidos.

Negociações continuam sem avanço

A decisão do USTR ocorre em meio às negociações entre Brasil e Estados Unidos para tentar evitar novas barreiras comerciais. Um grupo de trabalho foi criado após encontro entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, realizado em maio deste ano na Casa Branca.

Apesar das conversas recentes, integrantes das negociações afirmaram que ainda não houve avanços suficientes para encerrar o impasse comercial entre os dois países.

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