
O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) prevê que os efeitos do fenômeno El Niño devem ser sentidos com mais intensidade no Brasil durante a primavera e o verão, segundo nota técnica publicada pelo órgão na última terça-feira (19).
O documento destaca que o El Niño será um fator determinante para o clima global no segundo semestre de 2026 e no início de 2027. Ainda de acordo com a nota, a National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA) estima em 37% a probabilidade de o fenômeno atingir a categoria considerada muito forte, cenário conhecido como “Super El Niño”.
Tomando como referência o episódio de El Niño entre 2023 e 2024, período em que o Brasil enfrentou a maior seca dos últimos 70 anos e cerca de 80% dos municípios registraram algum nível de estiagem, o Cemaden elaborou prognósticos para um possível evento climático de intensidade semelhante em 2026.
A nota técnica aponta que o fenômeno em 2026/2027 pode provocar temperaturas acima da média nas regiões Norte e Nordeste, afetando o regime de chuvas, ampliando o risco de seca e impactando a disponibilidade hídrica. O documento ressalta ainda que esse cenário pode pressionar a infraestrutura hídrica e energética da Região Norte, especialmente nas bacias dos rios Xingu, Madeira e Tocantins-Araguaia.
Em relação ao risco de chuvas intensas e enchentes, a nota técnica indica maior atenção para o Centro-Sul do Brasil, principalmente na Região Sul e, em menor escala, em áreas de Mato Grosso do Sul.
O texto faz referência especial ao estado do Rio Grande do Sul, onde a previsão aponta volumes elevados de chuva durante a primavera e o verão, sobretudo nas regiões de Ijuí, Uruguaiana, Santa Maria, Passo Fundo, Caxias do Sul e Pelotas.
O Cemaden também projeta aumento considerável nos volumes de chuva em Santa Catarina, principalmente em regiões como Joinville, Criciúma, Lages, Chapecó e Caçador.
Segundo a nota técnica, o Brasil também pode enfrentar novas ondas de calor, principalmente nas regiões Sul e Sudeste, repetindo um padrão semelhante ao observado em 2024.
Ações recomendadas
Entre as recomendações apresentadas pelo Cemaden estão o reforço do monitoramento hidrometeorológico e geodinâmico, com atenção para acumulados de chuva, níveis dos rios, vazões, umidade do solo e condições de encostas.
O órgão também recomenda garantir o funcionamento pleno de radares meteorológicos, pluviômetros, estações hidrológicas e sistemas de transmissão de dados, além de ampliar o uso de previsões probabilísticas e multimodelos para apoiar cenários de risco.
Outra medida sugerida é a reavaliação de áreas críticas, como encostas ocupadas, margens de rios, fundos de vale, pontes, taludes e regiões urbanas com drenagem insuficiente.
A nota ainda defende maior integração entre União, estados e municípios para conectar ações de previsão, monitoramento, alerta e resposta a desastres naturais, além de integrar os alertas do Cemaden, do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) aos fluxos de decisão do Sistema Nacional de Proteção e Defesa Civil.
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