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Detecção precoce e prevenção da hipertensão arterial sistêmica podem evitar doenças cardiovasculares

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Por Dr. Roberto Candia*

As doenças cardiovasculares são a principal causa de morte no Brasil e no mundo. Em 2022, no Brasil, tivemos mais de 400.000 mortes relacionadas a problemas do coração e do sistema circulatório, sendo mais de 75% delas causadas ou por infarto ou pelo acidente vascular encefálico.

A hipertensão arterial, que ocorre quando os níveis pressóricos encontram-se acima dos valores normais, é o principal fator de risco para o surgimento das doenças cardiovasculares. Estima-se que ela acometa cerca de 35% da população brasileira na fase adulta.

A causa da hipertensão arterial é multifatorial, ou seja, depende de vários elementos:

1) Fatores genéticos hereditários e a idade estão fortemente relacionados com o desenvolvimento da doença. De acordo com estudos realizados, fatores genéticos podem influenciar na pressão arterial entre 30 e 50% dos casos.

2) Fatores de risco para o desenvolvimento da hipertensão arterial temos o colesterol alto, dieta rica em sal, obesidade, tabagismo, sedentarismo e estresse.

Em 2002, o Congresso Nacional estabeleceu através da lei 10.439, que o dia 26/04 seria conhecido como o Dia Nacional de Prevenção e Combate à Hipertensão Arterial. Com essa data, procurou-se estabelecer e desenvolver, em todo o território nacional, campanhas educativas de diagnóstico preventivo da hipertensão arterial e de doenças cardiovasculares em geral. Logo, a data foi adotada pelas sociedades médicas como uma forma de conscientização e alerta para a população em geral sobre os riscos e malefícios da hipertensão arterial, através de campanhas educativas, de palestras e entrevistas nos meios de comunicação
Buscou-se também nesta data, estimular as pessoas a terem o hábito de verificar a sua pressão arterial. Foi constatado que uma boa parte da população não sabe se é portadora de hipertensão arterial, e isso ocorre porque muitas vezes a hipertensão arterial, principalmente na sua fase inicial, não apresenta sintomas, e, algumas vezes, apenas sintomas leves, tais como, dor de cabeça fraca, tonturas – o que leva o indivíduo a pensar muitas vezes em outra causa.

Observa-se com frequência, indivíduos com a condição conhecida como hipertensão silente, que ocorre quando esses passam anos sem ter conhecimento de que são portadores da doença, e, somente tomam ciência da situação, em uma consulta por outros motivos, muitas vezes em um exame admissional. E, devido à demora na descoberta, a doença já se apresenta em uma fase avançada com algumas sequelas relacionadas a ela, como: Insuficiência renal, acidente vascular encefálico ou infarto do miocárdio.

Acredita-se que até metade dos hipertensos não saibam que são portadores da doença.

O diagnóstico da hipertensão é simples, sem necessidade de procedimentos invasivos. Ele é feito em duas etapas: 1) em uma primeira consulta, mede-se a pressão arterial, com o paciente em repouso, posteriormente, em uma nova consulta, em data diversa da primeira, confirma-se após ser feita uma nova medida.
Os sintomas são variáveis, como uma dor de cabeça, náuseas, tontura, zumbido nos ouvidos e outros. Atualmente dispomos de um arsenal terapêutico para o seu tratamento que vão desde medidas não farmacológicas, como prática de atividade física, alimentação balanceada e controle de peso, até o uso de medicações. O tratamento vai depender dos níveis pressóricos do paciente e se ele possui alguma outra doença associada como o diabetes ou doenças renais.

Atualmente, sabemos que a prevenção é uma aliada no combate a hipertensão arterial. Estudos demonstram que a prática de atividade física reduz os níveis pressóricos, mas para que ela seja eficaz, o exercício deve ser feito de forma contínua, com duração de pelo menos 40 minutos e com uma frequência três a quatro vezes por semana. Os hábitos alimentares também são extremamente importantes. Uma dieta rica em sal fará com que os seus níveis pressóricos sejam muito altos, assim como uma alimentação rica em gorduras e frituras. Deve-se evitar a ingestão de alimentos processados e embutidos, devido ao alto teor de sódio e estimular uma dieta rica em frutas, verduras e com pouco sal.

Pessoas que têm histórico familiar da doença, ou seja, pais ou avós que são hipertensos, e, por isso, possuiriam uma maior probabilidade de virem a desenvolver a hipertensão, são extremamente beneficiados, caso adotem cuidados preventivos como a prática de atividade física, uso de uma dieta balanceada. Dessa forma, conseguiriam diminuir exponencialmente a probabilidade de manifestarem a doença. O que não ocorrerá com aqueles que não adotarem esses cuidados preventivos.

A medida da pressão arterial de rotina deve ser estimulada, não só para se descobrir a hipertensão arterial nos pacientes assintomáticos, mas, também, para se avaliar a eficácia da terapêutica naqueles pacientes que já fazem tratamento.

A prática da atividade física, a alimentação balanceada, a cessação do tabagismo e o controle dos níveis glicêmicos, são alguns fatores importantes para que você não faça parte dos mais de 50 milhões de brasileiros que sofrem de hipertensão arterial.

*Dr. Roberto Candia é Cardiologista e responsável pelos exames de tomografia e ressonância cardíaca do grupo IMEDI





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Nefrologia Pediátrica em todas as vertentes

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Nunca antes no Brasil houve um evento voltado para Nefrologia pediátrica como o que foi realizado em Cuiabá no início de maio. Foram abordados temas contemporâneos que percorreram o espectro do cuidado nefrológico do prematuro ao adolescente na era digital, contando com a contribuição de mais de 50 palestrantes, incluindo três renomados especialistas internacionais e uma participação expressiva, com mais de 600 inscritos.

Sem dúvida, o XX Congresso Brasileiro de Nefrologia Pediátrica, organizado pela Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN) em parceria com a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), foi um marco para a especialidade.

Conseguimos destacar a importância da nefrologia pediátrica, uma especialidade que enfrenta desafios como a baixa procura em programas de residência médica e limitado apoio de entidades políticas e civis. O evento também buscou fortalecer a comunidade de nefrologistas pediátricos e advogar por mais reconhecimento e recursos para a área.

O fórum em defesa da nefropediatria, realizado no dia 3 de maio, foi um dos pontos altos do congresso, culminando na criação da Carta de Cuiabá, que propõe um projeto de linha de cuidado integrada para o paciente renal pediátrico. Este resultado demonstra que as expectativas do evento foram não apenas atendidas, mas superadas, promovendo um diálogo frutífero entre os profissionais da área.

Tivemos 2 pré-congressos focados em terapia de suporte renal, com cenários práticos, e disfunções miccionais neurogênicas e não neurogênicas, além de um simpósio multiprofissional. Essas atividades proporcionaram uma rica troca de experiências e atualização profissional.

Para nós nefropediatras esse congresso foi a valorização da nossa especialidade.

Recebemos ainda a Senadora Margarete Buzetti e a Primeira-Dama Virgínia Mendes na abertura do evento que nos deu força.

Precisamos falar mais sobre os tratamentos das crianças e adolescentes com problemas renais. Quanto mais cedo o diagnóstico mais eficaz é o tratamento.

Emmanuela Bortoletto Santos dos Reis é medica Nefropediatra no Hospital Santa Rosa e professora na UNIVAG- CRM/ MT 6596 e RQE 300; 327.





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Farmacêutica alerta para Uso Racional de Nutracêuticos e Suplementos Alimentares

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*Daniela Vial

Nos dias de hoje, a busca incessante por uma vida mais saudável e a preocupação com o bem-estar têm levado muitas pessoas a recorrerem a nutracêuticos e suplementos alimentares. No entanto, alerto para os riscos associados ao uso indiscriminado desses produtos e enfatizo a importância de um consumo racional e orientado.

Nutracêuticos são substâncias extraídas de alimentos que proporcionam benefícios à saúde, como antioxidantes, probióticos e ácidos graxos ômega-3. Suplementos alimentares, por outro lado, são produtos que contêm nutrientes como vitaminas, minerais, aminoácidos e enzimas, destinados a complementar a dieta.

Apesar de amplamente divulgados como benéficos, os nutracêuticos e suplementos podem apresentar riscos quando usados de maneira inadequada. Destaco que a automedicação e a falta de orientação profissional podem levar a consequências graves. O excesso de certas vitaminas e minerais pode ser tóxico. A vitamina A, por exemplo, em doses elevadas pode causar hepatotoxicidade, enquanto o consumo excessivo de ferro pode resultar em sobrecarga e levar a problemas cardíacos e diabetes.

A orientação de um profissional de saúde, como um farmacêutico ou nutricionista, é essencial para o uso seguro desses produtos. Esses especialistas podem avaliar a necessidade individual de cada paciente, considerando fatores como idade, sexo, estado de saúde e dieta. A prescrição adequada e personalizada garante que os pacientes obtenham os benefícios desejados sem correr riscos desnecessários.

Outro ponto fundamental é a escolha de produtos de qualidade e de fontes confiáveis. Suplementos contaminados ou de baixa qualidade podem não apenas ser ineficazes, mas também prejudiciais. Aconselho que sempre procure produtos registrados e aprovados por órgãos competentes, como a Anvisa no Brasil, e evite comprar de fontes duvidosas, como vendedores informais ou sites não certificados.

Educar os consumidores sobre os benefícios e os riscos dos nutracêuticos e suplementos é uma tarefa contínua. Informações baseadas em evidências científicas devem ser amplamente divulgadas para evitar o consumo baseado em modismos ou informações incorretas. Desconfie de promessas milagrosas e busque sempre informações em fontes confiáveis. A saúde não deve ser tratada com descaso.

O uso racional de nutracêuticos e suplementos alimentares é essencial para garantir que seus benefícios à saúde sejam alcançados de forma segura e eficaz. Lembrando que, além de uma orientação profissional adequada, a conscientização sobre a qualidade dos produtos e a educação do consumidor são pilares fundamentais para um consumo responsável. A responsabilidade pelo uso seguro desses produtos deve ser compartilhada entre profissionais de saúde, indústria e consumidores. Somente assim podemos promover a saúde e prevenir doenças de forma segura e eficiente.

*Daniela Vial é farmacêutica, especialista em Análises Clínicas pela Universidade de Cuiabá. Mestre em Biociências, subárea Metabolismo, pelo Programa de Pós-graduação da Faculdade de Nutrição da Universidade Federal de Mato Grosso. Atualmente, é conselheira e tesoureira do Conselho Regional de Farmácia de Mato Grosso (CRF-MT).





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Empresas que investem nos colaboradores são mais produtivas

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Por Dra Larissa Dias*

Investir no bem-estar dos colaboradores é crucial por várias razões, a principal delas é que funcionários felizes e saudáveis tendem a ser mais produtivos. Essa preocupação remonta a diferentes momentos da história empresarial, mas ganhou destaque significativo durante o movimento das Relações Humanas nas décadas de 1920 e 1930. Desde então, essa conscientização continuou a crescer, com empresas de todos os tamanhos e setores implementando políticas e práticas destinadas a promover um ambiente de trabalho saudável e apoiador.

Investir no bem-estar também pode contribuir para a construção de uma cultura organizacional positiva. Quando os colaboradores percebem que a empresa se preocupa com o seu bem-estar físico, emocional e profissional, eles se sentem mais conectados à organização e mais motivados a colaborarem com seus colegas, garantindo uma equipe mais experiente e engajada.

Sabendo disso e tendo como principal objetivo a melhora na saúde em geral, o bem-estar e o despertar da consciência dos colaboradores para uma vida mais saudável, incentivando a atividade física regular e melhorando o aumento da produtividade, redução dos níveis de estresse e criando um ambiente de trabalho mais saudável, o Instituto Médico de Diagnóstico por Imagem (Imedi) criou o Projeto Movimente-se possibilitando uma desconexão da equipe com os computadores e celulares e aderindo à prática de um esporte coletivo.

Com o objetivo de envolver os colaboradores e líderes de outros setores, a ação acontece uma vez a cada 2 meses, geralmente aos sábados, e inclui atividades como jogos de vôlei de areia, futevôlei, brincadeiras com bolas, piqueniques em lugares como centros de treinamento (CT), parques, quadras poliesportivas, disponibilizadas pela secretaria municipal de esporte e lazer. Essa variedade de locais permite a prática de diferentes modalidades esportivas e físicas, proporcionando aos participantes uma experiência diversificada e estimulante.

Em resumo, investir no bem-estar dos colaboradores não apenas beneficia os próprios funcionários, mas também traz vantagens para a empresa como um todo, incluindo aumento da produtividade, retenção de talentos, construção de uma cultura organizacional positiva e melhoria da imagem corporativa.

*Dra Larissa Dias é diretora administrativa do Grupo Imedi





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