CIDADES
Celebração cristã, Natal simboliza amor e união em todas as religiões
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2 anos agoon
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Da Redação
O fim do ano é marcado por rituais e festividades que refletem a cultura e a espiritualidade de diferentes religiões. Enquanto o Natal celebra o nascimento de Jesus – para os cristãos -, o islamismo vê a mesma entidade como um profeta e não o filho de Deus, logo não há uma comemoração específica para ele. Na Umbanda, as casas fecham para um período de descanso e introspecção. As tradições e rituais variam, mas têm em comum o desejo de amor, renovação, gratidão e união da família e seus agregados. Conheça algumas dessas celebrações e suas crenças.
Umbanda
Clara Angeleas/MinC

À frente da Casa Oxóssi Guerreiro há 12 anos, em Cuiabá, mãe Cida possui uma trajetória de 30 anos dentro da Umbanda, sendo 17 anos desde seu firmamento como líder espiritual. Ao
, ela destacou a importância de “praticar o bem sem olhar a quem”.
“Passamos o ano inteiro cuidando das pessoas, e aí é nesse momento que a gente faz pra cuidar da gente. Pra fechar ciclos, pra se preparar para novos ciclos”
Mãe Cida
No contexto das celebrações de fim de ano, mãe Cida explica que a Umbanda não realiza rituais específicos relacionados ao Natal, pois esse período é reservado ao descanso e reflexão aos integrantes do terreiro, que trabalham espiritualmente ao longo do ano. Durante essa época, as atividades do terreiro são encerradas e no dia 30 é promovido uma “renovação espiritual”, com práticas como banho de cachoeira para realizar uma limpeza antes de um novo recomeço.
“Não é que a gente não celebre. Celebramos, mas não dentro da religião, certo? Então, nesse período do Natal, as casas, a maioria delas, se fecham, para que as pessoas possam celebrar com a sua família, sem aquela carga de trabalho. Passamos o ano inteiro cuidando das pessoas, e aí é nesse momento que a gente tem pra cuidar da gente. Pra fechar ciclos, pra se preparar para novos ciclos”, esclarece.
Cecília Nobre/Rdnews

Mãe Cida: líder espiritual da Casa Oxóssi Guerreiro, em Cuiabá.
Sobre a visão da Umbanda em relação ao consumismo e às tradições natalinas cristãs, como o Papai Noel, por exemplo, mãe Cida defende que o período deve ser usado para introspecção, perdão e fortalecimento da fé, independentemente de rituais ou simbolismos. Ela acredita que muitas pessoas buscam “preencher vazios internos com tradições, sem compreender sua verdadeira essência”.
Para mãe Cida, a importância de viver genuinamente a religião, independentemente de qual seja, e praticar o bem de forma contínua, sem restringir a caridade a momentos específicos do ano.
Islamismo
Reprodução/Vatican News

Sheikh Ali Momad, natural de Moçambique – na África Oriental – é representante da Federação Muçulmana do Brasil (Fambras) e vive no Brasil há cerca de 10 anos. Ele conta que, dentro da fé islâmica, não há celebrações religiosas específicas para essas datas de fim de ano, pois as únicas festas religiosas reconhecidas são a de Quebra de Jejum (fim do Ramadã) e a do Sacrifício (durante o mês de peregrinação). Contudo, Sheikh Momad destaca que o Islã valoriza a coexistência pacífica, o respeito às diferenças religiosas e a convivência harmoniosa.
“Se eu receber um presente do meu irmão de uma religião diferente da minha, eu vou receber, sim. E assim como eu também, mesmo sendo muçulmano, vou ter que também retribuir aquele gesto simbólico”
Sheikh Ali Momad
Ele ressalta que, embora o Islã reconheça Jesus como um dos maiores profetas, os muçulmanos não celebram seu nascimento como uma prática de fé. No entanto, participar de momentos sociais, como encontros familiares ou celebrações comunitárias, é algo permitido, desde que os limites religiosos sejam respeitados. Segundo ele, esses momentos promovem a boa vizinhança, a sociabilidade e o fortalecimento de laços familiares.
“O Alcorão Sagrado fala muito bem de Jesus, a história de Jesus, o seu nascimento, a Maria, Mãe de Jesus, até temos um capítulo intitulado Maria, que foi a Mãe de Jesus. Então, é uma forma de reconhecimento da figura de Jesus como um dos grandes profetas. A princípio, nós temos fé em Jesus, como muçulmanos, e nos orgulhamos em relação a isso”, relata.
Sheikh Momad reflete também sobre a importância dos encontros familiares nesse período e como esses momentos são marcantes por promoverem alegria e troca de experiências, mais do que presentes materiais, reforçando valores de união e afeto, “fundamentais tanto no Islã quanto em outras tradições”.
“A troca de presentes e os gestos simbólicos são saudáveis e é algo incentivado, desde que “pautado sempre na justiça, na igualdade e no respeito”.
Arquivo Pessoal

Sheikh Ali Momad: representante da Federação Muçulmana do Brasil (Fambras).
Ele afirma que, inclusive, o Alcorão permite essas reuniões e trocas de presentes. “Nós temos essa permissão e podemos fazer essas trocas comerciais, simbólicas. Então, se eu receber um presente do meu irmão de uma religião diferente da minha, eu vou receber, sim. E assim como eu também, mesmo sendo muçulmano, vou ter que também retribuir aquele gesto simbólico. Isso é muito saudável”, destacou
Espiritismo
Humberto Affonso Del Nery, coordenador de caridade da Associação Espírita Wantuil de Freitas, em Cuiabá, compartilhou ao
que a verdadeira celebração – neste período de fim de ano – vem do amor e da caridade. Para ele, o amor não é apenas um sentimento, mas uma ação prática e concreta. Ele destacou ainda a importância de olhar para o outro, entender suas necessidades e ajudar, “o que reflete o mandamento de amar ao próximo como a si mesmo”.
“Esse é o período da gente poder renovar essas sementinhas de amor em cada um de nós e podermos colaborar cada vez mais, procurar levar uma alegria a mais àqueles que mais precisam”
Humberto Affonso Del Nery
Segundo Humberto, o espiritismo não é uma religião e sim uma doutrina espiritualista. Del Nery explicou que é possível ser espírita e fazer parte de uma religião. Além disso, destacou que os espíritas acreditam e celebram a Jesus, entidade que “trouxe ensinamentos profundos sobre o amor e a conexão espiritual, que só agora estamos começando a compreender plenamente”.
Del Nery destacou ainda que o Natal “transcende datas e tradições comerciais”, ele representa o renascimento do amor em ação. Apesar de reconhecer a alusão em torno da celebração de 25 de dezembro como o nascimento de Cristo, Humberto defende o espírito de união e renovação do amor. Outro ponto destacado foi sua crítica ao consumismo e a desigualdade presentes nas festas natalinas modernas, enfatizando a importância de compartilhar e incluir a todos na celebração.
“Esse é o período da gente poder renovar essas sementinhas de amor em cada um de nós e podermos colaborar cada vez mais, procurar levar uma alegria a mais aqueles que mais precisam sempre levando essa mensagem que a gente precisa verdadeiramente mudar o mundo. E o mundo só vai mudar quando você mudar, quando todos nós mudarmos”, destacou.
Rodinei Crescêncio/Rdnews

Humberto Affonso Del Nery: coordenador de caridade da Associação Espírita Wantuil de Freitas, em Cuiabá.
Para Humberto, o Natal transcende datas e tradições comerciais. Ele representa o renascimento do amor em ação. Apesar de reconhecer a alusão em torno da celebração de 25 de dezembro como o nascimento de Cristo, ele defende o espírito de união e renovação do amor e critica o consumismo e a desigualdade presentes nas festas natalinas modernas, enfatizando a importância de compartilhar e incluir a todos na celebração.
“As famílias e a sociedade precisam reconectar-se com Deus e com os valores de compaixão, perdão e empatia para resgatar a verdadeira essência do Natal e da convivência humana”, defendeu.
Catolicismo
Reprodução

Para o padre Renan da Silva Cunha, que exerce diversas funções na Arquidiocese de Cuiabá, como vigário, diretor da Rádio Bom Jesus e assessor de comunicação, o Natal é a celebração do nascimento de Cristo, não apenas historicamente, mas como “um chamado à união com Deus”.
Quanto à preparação espiritual no catolicismo, padre Renan explica que inicia no tempo do Advento – do dia 01 ao dia 24 de dezembro -, caracterizado por reflexões penitencial e confissões. “É uma mini quaresma, que dura quatro semanas”, explicou. Quanto às cores presentes nas missas, o roxo permanece até o dia 23, sendo substituído pelo dourado no dia 24, quando começa a celebração do Natal.
Sobre o uso de decorações e do simbólico Papai Noel, padre Renan destaca que são bem vindos, desde que carreguem os significados cristãos. O vigário destacou que, no catolicismo, o presépio é destacado como o enfeite mais importante, pois representa o nascimento de Cristo.
Quanto ao famoso “bom velhinho”, Renan diz que os católicos o veem positivamente visto que a origem do Papai Noel vem de São Nicolau, “que inspirou a figura por sua generosidade e associações ao período natalino”.
Rodinei Crescêncio/Rdnews

O sacerdote sugere tolerância e respeito durante as celebrações natalinas, promovendo união mesmo entre familiares com crenças diferentes. Ele enfatiza a importância de não criar conflitos, respeitar a celebração dos outros e “não ser chato”.
“Eu acho assim. As pessoas falam muito em empatia, respeito e tolerância hoje, né? Então vamos tolerar o Natal. Vamos tolerar o menino Jesus. Vamos tolerar esse período celebrativo. ‘Ah, eu não sou católico, eu não sou religioso e tal’. Mas tolere, para que as pessoas tolerem você também. Não seja chato. É só você não ser chato. Não estrague a celebração dos outros, que os outros não vão estragar a sua. Pronto. É simples”, disse o sacerdote.
Protestantismo
Adriana Terrabuio, pastora ordenada há dois anos e atuante na Igreja Batista Nacional Peniel, em Cuiabá, afirmou ao
que o Natal celebra o nascimento de Jesus Cristo, “um evento que simboliza renovação, esperança e paz”. Ela destaca a importância de viver o “verdadeiro espírito natalino”, focado na comunhão familiar e no amor.
“o Natal é tempo de parar. Parar para celebrar. Parar para ter comunhão, unidade com a tua família, não só com os amigos, com a sua família e os agregados. ”
Adriana Terrabuio.
A pastora explicou que, na tradição evangélica, o Natal é marcado por reuniões familiares e momentos de perdão e união, independentemente de diferenças religiosas ou sociais. A celebração ocorre em casa, sem ênfase no Papai Noel, mas respeitando seu papel lúdico para crianças.
A celebração do Natal para nós é a reunião em família, onde você celebra em família. É o dia de confraternização, é o dia que você reúne a sua família para aquela grande comunhão.
“As diferenças que tem, são questões mesmo de festividade, mas culturalmente o Natal é a família reunida. Nós celebramos esse nascimento, que não aconteceu de fato no dia 25, não foi nessa data, não temos uma data certa. Mas esse dia foi escolhido. E nesse dia nós celebramos o nascimento do nosso Senhor Jesus, celebrando em família”, diz.
Arquivo Pessoal

Adriana Terrabuio: pastora da Igreja Batista Nacional Peniel, em Cuiabá.
Adriana observou mudanças no comportamento das famílias após a pandemia da Covid-19, ressaltando a fragilidade da vida e a importância de reunir e celebrar a unidade familiar. Ela incentivou os fiéis a priorizar esses momentos de comunhão, comparando o Natal à oportunidade de criar memórias inesquecíveis.
“É o seu tempo de parar e estar junto. Porque hoje as famílias, por conta da mídia, por conta das muitas atividades, não param. E o Natal é tempo de parar. Parar para celebrar. Parar para ter comunhão, unidade com a tua família, não só com os amigos, com a sua família e os agregados. A importância de estar em volta da mesa, da esperança e do amor”, relata.
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