Produtores rurais de diferentes regiões do Rio Grande do Sul relatam escassez de óleo diesel e aumento nos preços do combustível às vésperas do início do plantio de arroz e soja. As reclamações foram registradas na Metade Sul e no Vale do Rio Pardo, onde os trabalhos para a semeadura devem se intensificar nos próximos dias.
A situação preocupa o setor porque, segundo os produtores, a disponibilidade de combustível pode ser decisiva para aproveitar as janelas de plantio. A falta de diesel também foi relatada no início do ano, durante o período de colheita.
Um produtor ouvido pela reportagem afirmou que a previsão de períodos curtos para a realização do plantio aumenta a preocupação com o abastecimento.
“Se nós não tivermos disponibilidade de diesel para se fazer esse plantio nessas curtas janelas que devem se apresentar nos próximos dias, nós podemos empurrar esse plantio muito para frente e sairmos da época ideal de cultivo das nossas lavouras. E toda vez que o produtor sai do período ideal de cultivo, ele compromete produtividade.”
Além da dificuldade para encontrar o combustível, os produtores relatam elevação dos preços. Um deles afirmou que comprou diesel por R$ 5,74 na semana anterior, encontrou o litro a R$ 6,56 dois dias depois e, na data do relato, o preço havia chegado a R$ 7,18.
“A gente acaba se tornando refém disso, acaba aceitando os preços para conseguir comprar e tudo vai aumentando o custo.”
Farsul cobra providências da ANP
Diante dos relatos, a Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul) protocolou um ofício urgente junto à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
A entidade solicitou que a agência:
Fiscalize as distribuidoras de diesel;
Apure como estão os estoques do combustível;
Verifique se há diferenças nas condições de venda para determinados consumidores;
Investigue possíveis retenções de combustível ou limitações da oferta;
Elabore um plano de contingência para os períodos de plantio e colheita.
Segundo a Farsul, a combinação de falta de diesel e preços elevados traz riscos distintos para o setor. Enquanto a escassez pode comprometer a produção, o combustível mais caro aumenta os custos das operações agrícolas.
“Os dois aumentam o risco de pressão sobre os preços dos alimentos”, afirmou a entidade, que disse estar reunindo relatos de produtores e cobrando providências dos envolvidos.
Alta do diesel pode elevar custos das lavouras
De acordo com a Farsul, uma alta de 21% no preço do diesel S10 poderia acrescentar R$ 12 milhões aos custos diretos das operações nas principais lavouras do Rio Grande do Sul.
Em um cenário mais crítico, com o litro do combustível ultrapassando R$ 9, o impacto acumulado nos custos de produção poderia superar R$ 1 bilhão, segundo a estimativa apresentada pela entidade.
Para a federação, garantir a oferta de diesel em períodos estratégicos e a preços viáveis é uma condição para a produção de alimentos, a manutenção de empregos e o funcionamento da economia.
IBP nega desabastecimento de diesel no país
Em nota divulgada nesta quarta-feira (16), o Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP) afirmou que não há indícios de desabastecimento de diesel no mercado nacional.
A entidade informou que acompanha a situação junto às empresas associadas, produtores, distribuidores e órgãos do governo, por meio da Mesa de Monitoramento do Ministério de Minas e Energia.
Segundo o IBP, o que existe é uma expectativa de aumento da demanda com a intensificação do plantio. A regularidade do abastecimento, conforme a entidade, dependerá também da possibilidade de complementar a oferta nacional com importações, das cotações no mercado externo e das condições logísticas para a entrada do combustível no país.
O instituto afirmou ainda que continuará monitorando o mercado para identificar antecipadamente eventuais necessidades e contribuir para a manutenção da segurança e da regularidade do abastecimento nacional.