Bovinos em área de pastagem. Foto: Divulgação/Agropecuária Maragogipe
Com a aproximação do período seco, cresce a preocupação dos pecuaristas com a oferta de alimento para o rebanho sem aumento expressivo dos custos de produção. Nesse cenário, o pastejo diferido vem ganhando espaço como alternativa para garantir forragem durante a estiagem e reduzir a necessidade de volumosos.
A estratégia consiste em vedar áreas de pastagem ainda no período das águas para acumular massa de forragem que será utilizada ao longo da seca. A prática tem sido adotada principalmente em regiões onde a queda das chuvas afeta diretamente a disponibilidade e a qualidade do pasto.
Segundo o técnico em agricultura e vendedor externo da Nossa Lavoura, Robson Luiz Slivinski Dantas, o manejo permite atravessar o período crítico com mais segurança nutricional.
“Com o pastejo diferido, o pecuarista consegue garantir alimento mesmo quando o pasto perde qualidade e quantidade de biomassa, evitando queda no ganho de peso e reduzindo custos com volumosos”, afirma.
Planejamento é decisivo
Para que o sistema funcione, o planejamento deve começar ainda antes da pré-seca. A definição das áreas, a escolha das espécies forrageiras e a avaliação das condições do solo são fatores considerados fundamentais para o sucesso da estratégia.
De acordo com Dantas, o ideal é iniciar a preparação entre dois e três meses antes da seca, priorizando piquetes com boa drenagem, fertilidade adequada e histórico de manejo eficiente.
“O planejamento antecipado ajuda a reduzir riscos com pragas, excesso de material fibroso e baixa produtividade”, explica.
Além de garantir alimento ao rebanho, o pastejo diferido também pode trazer ganhos econômicos. Conforme o técnico, enquanto o custo de volumosos na seca varia entre R$ 0,50 e R$ 1,00 por quilo de matéria seca, a forragem produzida na própria fazenda reduz significativamente as despesas com alimentação.
Segundo ele, a economia pode chegar entre 40% e 60%, dependendo do manejo adotado.
Escolha do capim influencia resultado
A seleção da área destinada ao pastejo diferido deve considerar fatores como fertilidade do solo, facilidade de acesso, histórico de pastejo e drenagem. Em geral, a recomendação é reservar entre 10% e 20% da área total utilizada pelo rebanho.
Entre as espécies mais indicadas estão gramíneas com boa capacidade de acúmulo de biomassa, como:
Brachiaria brizantha cv. Marandu;
Brachiaria humidicola;
capim-tifton 85;
Brachiaria decumbens.
Segundo Dantas, o momento da vedação também interfere diretamente na produção de forragem. A recomendação é realizar o fechamento do pasto com altura entre 40 e 60 centímetros e reforçar a adubação nitrogenada após a vedação.
O manejo preventivo contra pragas, principalmente lagartas, também entra na lista de cuidados necessários.
Suplementação continua necessária
Mesmo com maior oferta de forragem, o especialista ressalta que a qualidade nutricional do pasto tende a cair durante a seca. Por isso, a suplementação proteica continua sendo importante para manter o desempenho do rebanho.
Entre os erros mais comuns no uso do pastejo diferido estão a vedação fora do período ideal, ausência de adubação, falta de controle de pragas e sobrepastejo na entrada dos animais.
“Quando bem planejado, o pastejo diferido ajuda a manter o ganho de peso durante a seca, reduz custos e ainda favorece a recuperação mais rápida das pastagens no retorno das chuvas”, conclui.
A Nossa Lavoura participará da Rondônia Rural Show 2026, entre os dias 25 e 30 de maio, em Ji-Paraná (RO), onde apresentará soluções voltadas para pastagem, nutrição e saúde animal.