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El Niño traz riscos regionais à soja na safra 26/27, mas Centro-Oeste pode compensar perdas no Sul

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Foto: Pixabay

O impacto do El Niño sobre a soja brasileira na safra 2026/27 deve ser marcado por diferenças regionais, com maior exposição no Sul e condições potencialmente mais favoráveis no Centro-Oeste. A avaliação consta do relatório Climate Risk – El Niño Outlook for Brazil, da Aon, sistema de notícias em tempo real.

No Rio Grande do Sul, uma das principais áreas produtoras do país, o excesso de chuvas previsto entre outubro de 2026 e fevereiro de 2027 representa o principal ponto de atenção. O cenário pode elevar os riscos de encharcamento do solo, dificuldades operacionais, atraso nas atividades de campo e maior incidência de doenças, dependendo da intensidade e da distribuição das precipitações ao longo do ciclo.

Em contrapartida, o Centro-Oeste tende a apresentar condições mais favoráveis. Em Mato Grosso, responsável por cerca de 30% da produção nacional de soja, a expectativa é de chuvas de verão mais regulares nos últimos meses de 2026 e no primeiro trimestre de 2027. A maior estabilidade hídrica pode reduzir o risco de períodos prolongados de seca e contribuir para a manutenção da produtividade das lavouras.

A dinâmica regional é particularmente relevante para a avaliação do impacto do fenômeno sobre a safra brasileira. Eventuais perdas no Sul podem ser parcialmente compensadas pelo desempenho do Centro-Oeste, reduzindo o risco de que o El Niño provoque uma quebra generalizada da produção nacional.

Efeitos na soja

Para a soja, portanto, o principal efeito do fenômeno climático tende a ser o aumento da dispersão dos resultados entre regiões e produtores, e não necessariamente uma redução expressiva da produção brasileira como um todo. O comportamento das chuvas, sua distribuição e o estágio de desenvolvimento das lavouras serão determinantes para dimensionar os impactos efetivos sobre a produtividade.

O período entre outubro de 2026 e fevereiro de 2027 deve concentrar o monitoramento dos principais riscos climáticos. Segundo a Aon, é importante acompanhar a ocorrência de chuvas acima da média, avaliar a exposição das lavouras por Estado e estágio de desenvolvimento e realizar testes de estresse para diferentes cenários de perdas.

O cenário também reforça a necessidade de uma gestão mais estruturada do risco climático na cadeia da soja. Além dos impactos diretamente relacionados à produtividade, eventos extremos podem afetar custos, logística, fluxo de caixa, capacidade de financiamento e geração de valor para produtores, tradings, cooperativas e demais agentes da cadeia.

De acordo com projeções do Centro de Previsão Climática (CPC), da Administração Oceânica e Atmosférica dos EUA (NOAA), o El Niño deve persistir até abril de 2027, com expectativa de maior intensidade entre outubro e dezembro de 2026. Para a soja brasileira, o acompanhamento da evolução do fenômeno e, principalmente, de seus efeitos regionais será fundamental para antecipar riscos ao longo da safra 2026/27.

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