POLÍTICA
Duas em cada 10 brasileiras já sofreram ameaça de morte de parceiros
Published
2 anos agoon
By
Da Redação
O levantamento mostra ainda que seis em cada dez mulheres ameaçadas romperam com o agressor, após a intimidação, sendo essa decisão mais comum entre as vítimas negras do que entre as brancas. A pesquisa, divulgado nesta segunda-feira (25), contou com o apoio do Ministério das Mulheres e viabilizado por uma emenda da deputada federal Luiza Erundina (PSOL-SP).
Embora 44% das vítimas tenham ficado com muito medo, apenas 30% delas prestaram queixa à polícia e 17% pediram medida protetiva, mecanismo que pode determinar que o agressor fique longe da vítima e impedido de ter contato com ela. Esses dados têm relação com outros citados pela pesquisa, o de que duas em cada três mulheres acreditam que os agressores de mulheres permanecem impunes e o de que um quinto apenas acha que acabam na prisão.
Para a maioria das brasileiras (60%), a sensação de que os agressores não pagam pelo mal que fazem tem relação com o aumento dos casos de feminicídio. No questionário online, respondido, em outubro deste ano, por 1.353 mulheres maiores de idade, 42% das participantes concordaram com a afirmação de que as mulheres ameaçadas de morte imaginam que os agressores jamais vão colocar em prática o que prometem, ou seja, acham que a ameaça não representa um risco real de serem assassinadas por eles.
Ao mesmo tempo, há, no país, um contingente de 80% de mulheres avaliando que, embora a rede de atendimento às mulheres seja boa, não dá conta da demanda. Em relação a formas de enfrentamento à violência, proporção idêntica destaca as campanhas de estímulo a denúncias e as redes sociais como ferramentas poderosas.
Uma parcela significativa, também de 80%, pensa que nem a Justiça, nem as autoridades policiais encaram as ameaças e denúncias formalizadas com a seriedade devida. Também são maioria (90%) as respondentes com a opinião de que as ocorrências de feminicídio aumentaram nos últimos cinco anos.
Duplo trauma
A diarista Zilma Dias perdeu uma sobrinha em 2011. Não por causa natural, nem acidente. Camila foi morta, aos 17 anos, pelo ex-companheiro, de quem engravidou e tentava se desvencilhar. Como diversas vítimas, a jovem duvidava de que as agressões atingissem seu ponto máximo. Ambas as mulheres pretas.
Quase todas as respondentes da pesquisa, 89%, atribuem ao ciúme e à possessividade do agressor as causas por trás do feminicídio, quando envolve atuais ou ex-parceiros das vítimas. Para Zilma, foi o caso de sua sobrinha. Ela disse que ele chegou a trancá-la em casa e, como é típico nos casos de violência doméstica, tentou isolar a companheira, privando-a de todo convívio, inclusive o com familiares. O objetivo é fazer com que as mulheres fiquem sem ter a quem recorrer.
“Ela dizia que ele era mosca morta”, compartilha a pernambucana, para sinalizar que a filha de seu irmão nunca calculou realmente o risco que corria.
O assassino de Camila mudou-se de cidade onde vivia com ela. Depois de certo tempo, porém, ele retornou e ficou à espreita da ex-companheira. Quando a jovem passava por um cemitério, matou-a com 12 facadas, diante da filha dos dois, Raíssa. O homem, que tinha 25 anos, só foi localizado porque cometeu outro crime, de falsidade ideológica. Então, foi condenado a 13 anos por feminicídio.
A outra camada que revestiu de vulnerabilidade a vida de Zilma veio de uma desdita que ela mesma experimentou. Ela ficou seis anos sem poder abraçar alguém que gerou na barriga, mantendo contato somente por telefone. E também não resultado de nenhum acidente ou por causa do curso próprio da vida. Foi para se proteger de um agressor que não a matou, mas que assassinou a companheira que veio depois dela.
Hoje Zilma entende que a obediência que achava que devia ao parceiro era um valor construído culturalmente, algo incutido por ele na sua mente e que não tinha origem nem mesmo em sua família. Hoje, diz a trabalhadora doméstica, ela compreende que vivia em cárcere privado e que racionar comida para si, para não ser punida pelo marido, era um alerta escrito em letras garrafais. Ser proibida de ver os pais e de trabalhar não era normal.
O companheiro praticou contra ela, enquanto estiveram juntos, diversos tipos de violência. Da psicológica à patrimonial. Zilma não sabia nem sequer o sexo das bebês, pois não fez exame pré-natal, algo fundamental para verificar se a saúde da criança está em dia e detectar patologias graves precocemente.
“Eu não sabia a quem recorrer. Deus me livre chamar a polícia. Não contava nem à minha mãe que ele me batia. Quase todos os dias, ficava machucada. Grávida, apanhava. Ele chegou a ir ao médico comigo, eu estava toda machucada e já grávida de oito meses da minha primeira filha. Ele, do meu lado, me cutucando e o médico me perguntando ‘O que foi aquilo [os hematomas e ferimentos]?’ Ele me proibiu de falar. Aí, eu disse ‘Eu caí’. Estava do meu lado me ameaçando”, recorda Zilma.
Até terminar o relacionamento, algo que muitas vítimas temem, por medo de serem mortas, como mostra o relatório do Instituto Patrícia Galvão, Zilma aceitou os pedidos de perdão de seu agressor. A tentativa de esquecer os episódios de violência, em um relacionamento abusivo, e substitui-los por lembranças mais agradáveis – na maioria das vezes, poucas e do início da relação -, inclusive, despertadas intencionalmente pelo agressor é outra estratégia muito conhecida. Essa sequência de pedido de perdão, com agrados do agressor, recomeço das agressões, piora das agressões e agressão consumada se chama ciclo de violência e explica por que muitas vítimas não conseguem quebrá-lo e abandonar o agressor.
A “gota d’água”, menciona a pernambucana, foi quando ele bateu nela, logo após aparecer com uma amante no portão de casa e ser questionado pela infidelidade. O casal teve duas filhas, sendo que uma morreu aos 15 anos, por um problema cardíaco. Na ocasião, uma delas tinha apenas um mês de idade. Zilma informou a ele que ia embora e seu então companheiro fez um estardalhaço, indo à casa dos sogros, ajoelhando-se e prometendo que mudaria de comportamento, que jamais ela sofreria agressões novamente.
De mala e cuia, chegou a uma das capitais e voltou a criar a filha porque sua mãe, que cuidava dela, faleceu. “A minha esperança é que ele fosse mudar, mudar, mas foi só piorando”, diz.
Tentar minar a autoestima de Zilma, outro ponto que se repete nessas histórias, não a abalou, já que estava determinada a partir. “Dizia que eu não ia conseguir criar minha filha, que eu ia pedir ajuda a ele. Nunca deu um leite a ela. E eu consegui, criei sozinha”, afirma.
Em 2014, outra sobrinha de Zilma entrou em contato com ela para contar uma novidade. O ex-companheiro da diarista havia matado sua então parceira e a esquartejado. O caso saiu em jornais locais. Ele foi condenado a cumprir 25 anos de prisão.
Como encontrar informações e pedir ajuda
A versão completa da pesquisa pode ser lida no site do Instituto Patrícia Galvão, onde também é possível encontrar dados sobre os diversos tipos de violência.
Há, ainda, diversas formas de pedir socorro, caso seja necessário. Entre elas, o telefone 180, específico para atender vítimas de violência doméstica, as delegacias especializadas no atendimento à mulher e a Casa da Mulher Brasileira, que tem dez unidades espalhadas pelo país (Campo Grande; Fortaleza; Ceilândia, no Distrito Federal; Curitiba; São Luís; Boa Vista; São Paulo; Salvador; Teresina; e Ananindeua, no Pará.
Relacionadas
Violência: mulheres negras com pouca renda convivem com agressores
Projeto premiará ações de enfrentamento à violência contra a mulher
Wilson Santos propõe dispositivos de localização para ampliar a segurança de autistas em MT
Ibovespa fecha em queda de 13,88% e dólar comercial sobe 8,21%
Vigia mais MT auxilia na recuperação de três veículos roubados em Cuiabá e Várzea Grande
DAVI Móvel leva acolhimento e orientação à população no CRAS São Mateus
Disparada do dólar impulsiona preços da soja no Brasil, mas volatilidade limita negócios
Endividamento no agro: produtores de Mato Grosso enfrentam dificuldades financeiras
Primeiro CCBB no Nordeste abre as portas na Bahia em 21 de novembro
acompanhe a apuração dos votos do segundo turno no Rio Grande do Norte
Mato Grosso se mantém entre os dez estados com maior movimentação via Pix no país
Cruz Alta abre colheita do trigo no Rio Grande do Sul
ECONOMIA
Mercado imobiliário movimenta R$ 1,8 bilhão no terceiro trimestre em Cuiabá
O mercado imobiliário de Cuiabá movimentou R$ 1,834 bilhão no terceiro trimestre de 2026, estabelecendo um novo recorde para o...
Cesta básica sobe pela quarta semana consecutiva em Cuiabá e preço médio chega a R$ 937
As dificuldades para manter a qualidade dos alimentos, somadas aos riscos relacionados ao transporte, ao armazenamento e ao escoamento dos...
Mato Grosso se mantém entre os dez estados com maior movimentação via Pix no país
Desde abril, Mato Grosso registra movimentações financeiras superiores a R$ 35 bilhões por mês via Pix, mantendo-se entre os dez...
POLÍTICA
Wilson Santos propõe dispositivos de localização para ampliar a segurança de autistas em MT
Com mais de 15 leis sancionadas em benefício das pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e seus familiares, o...
Idosos vivenciam manhã de lazer e integração no Parque Bernardo Berneck
Encontro realizado na sexta-feira (23) encerrou a programação do Mês da Pessoa Idosa, com piquenique, música, dança e atividades voltadas...
Guarda Municipal socorre criança de 4 anos em convulsão em Várzea Grande
A Guarda Municipal de Várzea Grande prestou socorro a uma criança de quatro anos que estava desacordada e apresentando convulsões,...
SAÚDE
Telessaúde avança no SUS, chega a 63 núcleos e ultrapassa R$ 248,9 milhões em recursos e incentivos
A telessaúde está cada vez mais presente no Sistema Único de Saúde (SUS), ampliando as possibilidades de acesso da população...
Carreta de cardiologia do SUS chega a Guarulhos (SP) para oferta de atendimentos especializados
A carreta de cardiologia do programa Agora Tem Especialistas chega a Guarulhos (SP) com consultas e exames especializados para a...
Fumaça das queimadas: saiba como proteger a sua saúde e onde buscar atendimento
Os incêndios florestais em várias regiões do país, com destaque para o Amazonas, têm espalhado uma grande quantidade de fumaça...
CIDADES
Várzea Grande prorroga prazo para confirmação da pré-matrícula 2027 até quarta-feira
A Secretaria Municipal de Educação, Cultura, Esporte e Lazer de Várzea Grande (SMECEL) prorrogou até quarta-feira (28) o prazo para...
Várzea Grande transfere ponto facultativo e servidores terão feriado prolongado de 4 dias
A Prefeitura de Várzea Grande transferiu o ponto facultativo alusivo ao Dia do Servidor Público, celebrado em 28 de outubro,...
Prefeitura realiza 1º Empreende Cuiabá nesta terça-feira
A Prefeitura de Cuiabá, por meio da Secretaria Municipal de Trabalho, realiza nesta terça-feira (27), das 8h às 16h, o...
AGRICULTURA
Ibovespa fecha em queda de 13,88% e dólar comercial sobe 8,21%
O mercado financeiro encerrou a sessão de 26 de outubro de 2026 com queda de 13,88% do Ibovespa, aos 176.608,23...
Disparada do dólar impulsiona preços da soja no Brasil, mas volatilidade limita negócios
O mercado brasileiro de soja iniciou a semana com forte volatilidade e preços predominantemente mais altos nesta segunda-feira (26). A...
Dólar mais alto deve favorecer preços do milho nos portos e na B3
O milho spot em Chicago encerrou a semana passada com queda de 3,80% no período. No Brasil, o contrato da...
POLÍCIA
Vigia mais MT auxilia na recuperação de três veículos roubados em Cuiabá e Várzea Grande
No primeiro caso, registrado na quinta-feira (23.10), uma motocicleta Honda Biz com registro de furto foi identificada pelo sistema de...
Polícia Militar prende homem por violência doméstica e apreende arma de fogo em residência
Polícia Militar prende homem por violência doméstica e apreende arma de fogo em residência Comentários
Polícia Civil destrói mais 400 quilos de entorpecentes em quinta incineração do ano em Cáceres
A Polícia Civil destruiu, na manhã desta segunda-feira (26.10), mais de 400 quilos de entorpecentes, apreendidos na região de fronteira,...
Trending
-
OPINIÃO1 ano agoInvenções
-
OPINIÃO2 anos agoA educação transforma
-
OPINIÃO2 anos agoJovem Advocacia Forte!
-
OPINIÃO1 ano agoMãe, mulher e essência
-
OPINIÃO2 anos agoEmpowerment e accountability
-
OPINIÃO2 anos agoVocê é real?
-
OPINIÃO2 anos agoSeguidores
-
ESPORTES2 anos agoAtlético-MG empata com Juventude e perde chance de subir na tabela
