O dólar disparou nesta segunda-feira (26) e encerrou o pregão em alta de 8,21%, cotado a R$ 5,4029. Ao longo da manhã, a moeda chegou a atingir R$ 5,6049, no maior patamar intradia do dia. O movimento ocorreu após a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno das eleições presidenciais, na noite de domingo (25), em meio ao aumento dos prêmios de risco fiscal e político.
Segundo os dados do pregão, o fechamento desta segunda-feira foi o mais elevado desde 5 de janeiro, quando o dólar terminou a R$ 5,4055. Trata-se também do maior avanço porcentual diário desde 13 de janeiro de 1999, quando o país adotou o regime de bandas cambiais.
Pela manhã, a valorização da moeda americana refletiu a reversão de posições montadas diante do favoritismo de Flávio Bolsonaro ao Palácio do Planalto, após o desempenho do primeiro turno e a liderança numérica nas pesquisas de intenção de voto. No fim da manhã e durante a tarde, o dólar perdeu força com realização de lucros e provável entrada de fluxo de exportadores, que aproveitaram a alta do câmbio para internalizar divisas.
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O head de câmbio da EQI Investimentos, Alexandre Viotto, afirmou que houve um movimento forte de entrada de exportadores e disse que não houve problema de liquidez no mercado. No segmento futuro, o contrato de dólar para novembro registrou giro acima de US$ 31 bilhões. A B3 elevou duas vezes o limite superior de negociação do dólar futuro: de 6% para 8,4% antes da abertura do pregão regular e, depois, de 8,4% para 12%, a partir das 9h30.
Em meio ao estresse, a avaliação foi de que não houve disfuncionalidade que justificasse intervenção do Banco Central, seja com venda de moeda à vista, seja com swaps cambiais. Já o Tesouro Nacional atuou com recompra de títulos públicos, movimento apontado como um dos fatores para a acomodação do câmbio.
No acumulado de outubro, o dólar sobe 4,40%. No ano, ainda registra queda de 1,57%.
Entre as avaliações de mercado, o estrategista de mercados emergentes do Wells Fargo, Álvaro Vivanco, classificou a reação inicial ao resultado eleitoral como exagerada e manteve posição vendida em dólar frente ao real, com projeção de retorno da moeda a R$ 5,30. Já o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo deve promover mudanças na lei ou na Constituição para buscar o centro da meta fiscal ainda neste ano.
Fonte: Estadão Conteúdo