O programa Giro do Boi desta semana destacou o DDG, conhecido como o “ouro da pecuária”. Esse coproduto da indústria de etanol de milho deixou de ser uma alternativa regional para se tornar o protagonista da nutrição animal nas fazendas brasileiras.
Com o Brasil projetando aumentar de 25 para mais de 60 usinas até 2030, a oferta de DDG deve triplicar, atingindo 11,5 milhões de toneladas. Essa mudança promete libertar os pecuaristas da dependência exclusiva de fontes proteicas tradicionais.
Confira:
Impacto na nutrição animal
O processo de fabricação do etanol retira o amido do milho, concentrando os demais componentes. O resultado é um insumo com densidade nutricional superior ao grão original, ideal para potencializar a Recria Intensiva a Pasto (RIP) e a engorda.
Embora venham da mesma origem, a forma física dos coprodutos define a logística de uso na fazenda. O Dr. Murilo Meschiatti, coordenador técnico da Bellman Trouw Nutrition, afirmou que o uso do DDG será uma ferramenta de gestão de risco em 2026, especialmente diante de previsões de secas severas.
Competitividade e eficiência
Em regiões como Mato Grosso e Goiás, o DDG tem se mostrado mais competitivo que o milho grão, entregando três vezes mais proteína por um preço proporcionalmente menor. Estudos da UNESP confirmam que o uso desse “ouro” melhora a eficiência alimentar e o rendimento de carcaça, preparando animais mais pesados em menos tempo.
O especialista Gustavo Sartorello explicou que o “padrão ouro” entre 90 e 105 dias garante o equilíbrio entre acabamento de carcaça e eficiência biológica, evitando que o custo da diária supere o ganho do animal.
Desafios e estratégias
A revolução do DDG exige que o pecuarista conheça a fundo o layout da usina fornecedora, pois os níveis de fibra e gordura podem variar. Em 2026, a pecuária de alta performance não aceita amadorismo: o segredo é equilibrar a inclusão desse insumo para extrair o máximo de ganho médio diário sem desperdícios.