Um equipamento médico ou uma tecnologia usada no Sistema Único de Saúde (SUS) gera informações importantes para o cuidado de um paciente, mas, para que esses dados sejam compartilhados de forma segura e compreendidos por diferentes sistemas e profissionais, é necessário que todos falem a mesma língua. Foi com esse propósito que o Ministério da Saúde lançou, na última terça-feira (3), o Glossário Temático – Gestão de Dispositivos Médicos: Sistemas Conectados em Saúde que padroniza os termos usados na gestão dessas tecnologias.
O evento ocorreu no Auditório Emílio Ribas, no edifício-sede do Ministério da Saúde, em Brasília (DF), com transmissão ao vivo pelo YouTube. A iniciativa foi conduzida pela Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde (SCTIE), em parceria com a Secretaria Executiva. Durante o lançamento a secretária da SCTIE, Fernanda De Negri, ressaltou que a padronização de conceitos contribui para a gestão dos recursos públicos e que esclarecer o que são dispositivos interoperáveis, conectados e interconectados também ajuda a construir uma saúde digital mais eficiente.
“A padronização de conceitos também é fazer política pública para fortalecer o SUS. Desenhar estratégias para o setor de dispositivos médicos exige superar desafios como a pulverização das compras, a falta de sistematização de termos e a complexidade na operacionalização dos equipamentos. Acredito que o glossário apoiará o alinhamento desses processos”, afirmou a secretária De Negri.
A iniciativa faz parte de uma estratégia contínua do ministério para otimizar os investimentos públicos e garantir segurança na gestão de tecnologias biomédicas. Segundo o secretário-executivo da pasta, Adriano Massuda, esse esforço reflete o compromisso da gestão com a sustentabilidade do setor e com a entrega de um serviço de excelência para a população.
“O avanço tecnológico do setor de saúde precisa caminhar lado a lado com a sustentabilidade do SUS. Este glossário não é apenas um documento de padronização, mas uma base estruturante para amparar estados e municípios, de forma jurídica e técnica, a gerenciarem seus parques tecnológicos. O resultado final desse esforço é um SUS mais forte, moderno e focado no que mais importa: a segurança e o bem-estar do paciente.”
Diálogo entre saúde e setor produtivo
A obra é o 19º título da série Glossários Temáticos do Ministério da Saúde e foi elaborada por equipe multidisciplinar do Departamento do Complexo Econômico-Industrial da Saúde (Decis/SCTIE). O lançamento reuniu representantes da saúde, da regulação e do setor produtivo para apresentar o glossário e discutir os desafios dos dispositivos médicos conectados.
A programação incluiu debates sobre regulação, serviços de saúde e sociedades técnico-científicas, além da importância de uma linguagem comum para a indústria, os importadores, os distribuidores e o setor de diagnóstico.
Padronizar a linguagem é importante para o SUS
Você já ouviu falar em “gêmeo digital”? Apesar do nome de ficção científica, ele funciona como uma réplica virtual de um dispositivo, processo ou sistema, e é alimentado continuamente por dados reais. Permite, por exemplo, simular o funcionamento de um tomógrafo, monitorar seu desempenho e prever falhas antes que elas aconteçam.
Esse termo, por exemplo, está entre os 578 reunidos no glossário e, estão acompanhados de definições, siglas, sinônimos, bem como os equivalentes em inglês. O objetivo é facilitar a compreensão de conceitos técnicos e contribuir para que gestores, profissionais de saúde, pesquisadores, fornecedores e órgãos reguladores utilizem uma linguagem comum na gestão de tecnologias utilizadas no Sistema Único de Saúde.
Embora possa parecer uma questão restrita aos especialistas, a padronização de termos técnicos tem impacto na organização dos serviços de saúde. Quando os usuários utilizam os mesmos conceitos, a comunicação entre as áreas se torna mais clara, favorecendo o planejamento e a tomada de decisões. Na prática, a proposta da publicação é ajudar diferentes áreas a “falarem a mesma língua” sobre dispositivos médicos usados na saúde.
Tecnologia, segurança e proteção de dados
O avanço da saúde digital traz novas possibilidades para os serviços públicos, mas também exige atenção à segurança das informações e ao funcionamento das tecnologias. Por isso, o glossário também reúne conceitos relacionados à cibersegurança, à proteção de dados e à governança, além de abordar temas como inteligência artificial e software como dispositivos médicos. A publicação aborda ainda as etapas do ciclo de vida dos dispositivos: planejamento, aquisição, operação, manutenção, obsolescência e descomissionamento — etapa que corresponde à retirada planejada de um dispositivo médico de uso.
Os dispositivos médicos estão presentes em diferentes etapas do atendimento à população, desde exames e diagnósticos até o monitoramento e o tratamento de doenças. “O dispositivo médico costuma ser o primeiro recurso a tocar o paciente em uma situação de urgência ou emergência. Antes de um medicamento, é preciso, por exemplo, auscultar ou monitorar a pessoa”, exemplificou o secretário adjunto da SCTIE, Eduardo Jorge Valadares.
Com o avanço das tecnologias digitais, muitos desses equipamentos passaram a se conectar a outros dispositivos e sistemas, ampliando as possibilidades de uso e o compartilhamento de informações.
Janine Russczyk
Ministério da Saúde