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O agro segura o dólar. E quem segura o agro?

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Foto: Pixabay

O Brasil voltou a registrar um expressivo ingresso de dólares. Até o início de julho, o fluxo cambial acumulava saldo positivo de aproximadamente US$ 16,8 bilhões. À primeira vista, parece um sinal de forte entrada de investimentos. Mas os números mostram outra realidade.

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Do saldo positivo, US$ 34,4 bilhões vieram do comércio exterior, enquanto o fluxo financeiro registrou saída líquida de cerca de US$ 17,6 bilhões. Em outras palavras, o Brasil fechou essa conta no azul porque exportou mais do que perdeu em recursos financeiros.

E, quando se fala em exportações, existe um protagonista: o agronegócio.

O dinheiro vem da produção

Enquanto investidores ainda demonstram cautela diante das incertezas fiscais e do ambiente de negócios, o produtor rural continua produzindo, exportando e trazendo divisas para o país.

Cada embarque de soja, milho, café, carnes, açúcar, algodão ou celulose representa dólares que fortalecem o câmbio, ajudam a financiar importações e dão mais estabilidade à economia.

O agro não produz apenas alimentos. Produz também uma das riquezas mais importantes para qualquer país: moeda forte.

A contradição brasileira

O fluxo cambial mostra uma realidade pouco discutida. O dinheiro que entra hoje no Brasil vem muito mais da capacidade de produzir do que da confiança do mercado financeiro.

É justamente o setor que mais contribui para esse resultado e continua enfrentando dificuldades para obter uma solução para seu endividamento.

O Plano Safra já começou, mas a renegociação das dívidas dos produtores segue sem definição. O crédito continua restrito para quem gera riqueza, emprego e divisas para o país.

Uma reflexão necessária

Não é apenas o agronegócio que gera dólares. Petróleo, mineração e outros setores também têm papel importante.

Mas poucos entregam, ano após ano, um volume tão expressivo de divisas líquidas quanto o campo brasileiro.

Se o agronegócio ajuda a sustentar o câmbio, fortalecer as contas externas e equilibrar a economia, apoiar sua capacidade de continuar produzindo não é um privilégio.

É uma decisão estratégica para o Brasil.

Afinal, se o campo ajuda a sustentar o caixa do país, quem sustentará o campo quando ele mais precisar?

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural


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