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Audiência nos EUA: ‘Perguntas foram técnicas e específicas’, avaliam entidades do setor produtivo

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Foto: Magnific

Representantes do agronegócio brasileiro avaliaram que a audiência pública realizada nesta segunda-feira (6) pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) ocorreu em um ambiente mais técnico e produtivo do que o registrado no ano passado. A percepção é de que o maior preparo das equipes dos dois países e a participação conjunta de entidades brasileiras e norte-americanas favoreceram a defesa dos produtos brasileiros diante da proposta de tarifa de 25%.

Segundo o diretor-geral do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), Marcos Matos, as discussões deixaram de lado questionamentos genéricos e passaram a se concentrar em aspectos técnicos sobre as cadeias produtivas. “As perguntas foram mais técnicas, mais específicas. Não houve desconhecimento sobre o tema, mas interesse em compreender melhor o processo”, afirmou.

De acordo com Matos, o painel dedicado ao café reuniu representantes do Cecafé, da Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics) e da National Coffee Association (NCA), dos Estados Unidos. A estratégia foi apresentar argumentos complementares em defesa da manutenção da isenção para o café verde e torrado e da inclusão do café solúvel na lista de exceções às tarifas.

Entendimento sobre o papel do café solúvel

O principal interesse dos técnicos do governo norte-americano foi entender o papel do café solúvel como insumo para a indústria de bebidas dos Estados Unidos, especialmente em produtos prontos para consumo (RTD), cafés gelados e outros derivados. Também foram discutidos os efeitos que uma eventual tarifa poderia causar sobre os custos da indústria e dos consumidores.

Segundo a Abics, a estratégia de alinhar os discursos das entidades brasileiras e da associação norte-americana do café funcionou como planejado. As três apresentações seguiram a mesma linha de argumentação e responderam de forma complementar aos questionamentos do painel.

A entidade informou que as perguntas se concentraram menos no consumo de café e mais nos impactos econômicos de uma eventual tarifa para toda a cadeia industrial norte-americana. Entre os argumentos apresentados estiveram o risco de aumento de custos para fabricantes de bebidas à base de café solúvel, xaropes e produtos prontos para consumo, além da defesa da retirada do produto da lista de bens sujeitos à tarifa.

Outros setores enfrentam pressão

Nos bastidores, representantes brasileiros também avaliaram que outros setores enfrentaram questionamentos mais duros durante a audiência. Segundo Matos, as discussões envolvendo mel e etanol tiveram tom mais crítico.

Nesse contexto, fontes avaliam que a audiência reforçou que ainda existe espaço para convencer o governo norte-americano a rever parte das medidas em discussão antes da decisão final.

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