
A pressão do petróleo sobre matérias-primas, fretes e insumos industriais começou a alterar o comportamento dos bens industriais no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2026. Após a guerra no Oriente Médio afetar a oferta global, o grupo subiu 0,61% em abril, acima dos 0,32% de março. Embora ainda abaixo da inflação cheia em 12 meses, economistas avaliam que esse segmento deve perder força como fator de alívio do índice ao longo do segundo semestre.
Os bens industriais acumulam alta de 2,41% em 12 meses até abril, abaixo dos 4,39% do IPCA cheio. Ainda assim, projeções de mercado citadas na reportagem apontam aceleração para algo entre 3,2% e 3,8% no fim de 2026, com peso relevante de um grupo que responde por cerca de 23% da cesta do índice.
Segundo Andréa Angelo, estrategista de inflação da Warren Investimentos, dados do atacado já mostram reversão do quadro mais benigno. Um núcleo industrial do Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI), que exclui gás, minério de ferro e alimentos, avançou 2,5% em abril, a maior taxa para o mês desde pelo menos 2010. Matheus Dias, economista do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV-Ibre), afirmou que o aumento do petróleo elevou custos industriais e logísticos de forma disseminada.
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Entre os itens monitorados, embalagens plásticas passaram de 33% para 38% entre março e abril, segundo a análise da Warren. Roberto Secemski, economista-chefe para Brasil do Barclays, destacou ainda pressão de matérias-primas e fretes, além de reajustes em higiene pessoal, eletroeletrônicos e componentes importados.
Para o setor agropecuário, o movimento amplia a atenção sobre despesas de transporte, embalagens, produtos industrializados usados nas cadeias de alimentos e custos indiretos da agroindústria. O texto-base também cita o algodão como possível vetor adicional: com o poliéster mais caro por causa do petróleo, a demanda pela fibra natural pode aumentar, o que tende a influenciar preços mais adiante, caso o repasse se confirme.
A tendência descrita por economistas é de maior pressão dos bens industriais no segundo semestre, mas a intensidade do repasse ao consumidor ainda depende do comportamento do petróleo, do câmbio e da demanda doméstica. Até o momento, os dados indicam perda de fôlego do efeito desinflacionário desse grupo, sem evidência suficiente para estimar um impacto final além das projeções já divulgadas.
Fonte: Estadão Conteúdo
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