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Brasil contesta possível restrição da União Europeia a produtos do agro

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Foto: Agência Brasil

O governo brasileiro avalia que não há justificativa técnica para a União Europeia impor novas restrições comerciais aos produtos agropecuários do país. A manifestação ocorre enquanto uma auditoria europeia verifica o cumprimento de exigências relacionadas ao uso de antimicrobianos na produção destinada ao bloco.

O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, afirmou que a expectativa do Ministério da Agricultura é de que não sejam adotadas novas barreiras. Caso alguma restrição seja aplicada, segundo ele, a avaliação é de que poderá ser revertida após verificações técnicas.

“A expectativa do Ministério da Agricultura é favorável, é boa. Ele acha que não vai acontecer nenhuma imposição, uma outra imposição de restrições ao comércio com o Brasil”, afirmou.

Segundo o ministro, uma eventual vistoria deve demonstrar que não existem razões técnicas para novas restrições aos produtos brasileiros.

União Europeia audita produção brasileira

Uma auditoria da União Europeia avalia os controles adotados pelo Brasil para atender às novas exigências sobre o uso de antimicrobianos na pecuária.

A análise envolve a produção de frango e mel e busca verificar os mecanismos brasileiros de controle sobre o uso dessas substâncias nos produtos destinados ao mercado europeu.

O tema ganhou atenção diante da possibilidade de interrupção temporária de exportações a partir de setembro.

O governo brasileiro mantém diálogo com representantes europeus e considera que eventuais dificuldades fazem parte do processo de adaptação às novas regras comerciais.

“O Brasil dialoga com a União Europeia de uma maneira muito proativa no presente momento”, disse Elias Rosa.

Governo aposta em solução para possíveis restrições

O ministro também afirmou que eventuais divergências podem ser solucionadas por meio das avaliações técnicas.

Segundo ele, o governo considera natural a necessidade de ajustes durante a implementação das novas regras entre os mercados.

“Esses momentos de indefinição, vamos chamar assim, são naturais nessa fase de implantação”, declarou.

Elias Rosa acrescentou que a expectativa do Ministério da Agricultura e do ministro André de Paula é de que eventuais dificuldades sejam superadas.

Além das exigências sanitárias relacionadas aos produtos de origem animal, o comércio entre Brasil e União Europeia também acompanha mudanças regulatórias europeias que podem atingir outras cadeias exportadoras, como soja, café, cacau e produtos de madeira.

União Europeia amplia compras de carne bovina brasileira

O debate ocorre em um momento de crescimento das exportações brasileiras de carne bovina para o mercado europeu.

Dados da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) apresentados durante o programa mostram que a União Europeia importou 12,5 mil toneladas de carne bovina brasileira em julho, alta de pouco mais de 52% na comparação com o mesmo período de 2025.

A receita obtida com os embarques ao bloco chegou a US$ 109,8 milhões no mês, avanço superior a 46%.

Entre janeiro e julho, as exportações brasileiras de carne bovina para a União Europeia alcançaram 63,7 mil toneladas, crescimento de mais de 10%.

Outros destinos também ampliaram as compras em julho. O Chile recebeu 19,2 mil toneladas, crescimento superior a 50%. Os Estados Unidos importaram quase 29 mil toneladas, avanço próximo de 10%, enquanto o México comprou 12,4 mil toneladas, aumento de 4,5%.

Exigências europeias preocupam exportadores

As novas regras ambientais e sanitárias adotadas pela União Europeia vêm sendo acompanhadas pelo setor exportador brasileiro diante dos possíveis efeitos sobre o acesso ao mercado.

Segundo informações apresentadas no boletim, um estudo interno da Comissão Europeia aponta o Brasil entre os países que podem ser mais afetados pelas exigências.

O levantamento também indica possíveis impactos para os próprios consumidores europeus caso fornecedores internacionais deixem de atender às regras. No cenário mais severo citado no boletim, os preços de alguns produtos poderiam registrar forte aumento.

O governo brasileiro, porém, aposta no diálogo e nas avaliações técnicas para evitar interrupções no fluxo comercial com o bloco europeu.

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