
As taxas dos juros futuros encerraram esta quinta-feira (17) em queda em todos os vértices, após inverterem o movimento de alta observado no início do pregão. O mercado reagiu a um ambiente externo mais favorável, com recuo do petróleo e dos rendimentos dos Treasuries, enquanto a pressão provocada pelo leilão robusto de títulos prefixados do Tesouro Nacional perdeu força ao longo da tarde.
No fechamento, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 caiu de 13,588%, no ajuste anterior, para 13,555%. O DI para janeiro de 2029 recuou de 13,903% para 13,82%, e o vencimento para janeiro de 2031 passou de 14,116% para 14,04%.
Pela manhã, os ativos domésticos haviam sentido o impacto do anúncio de reajuste de 15% no piso do Bolsa Família, que passou de R$ 600 para R$ 691 e entra em vigor a partir de outubro. Segundo o Ministério da Fazenda, a medida terá impacto de R$ 22,7 bilhões por ano em 2027 e 2028, além de R$ 5,8 bilhões em 2026.
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Ao mesmo tempo, o Tesouro Nacional ofertou 15 milhões de Letras do Tesouro Nacional (LTN) e 9 milhões de Notas do Tesouro Nacional – Série F (NTN-F). Agentes relataram que parte do mercado ampliou posições tomadas em juros antes do leilão, em busca de prêmio mais elevado. Com a dissipação desse movimento ao longo da tarde, a curva passou a aliviar.
O gestor de portfólio da Heritage Capital, Eduardo Cohn, afirmou que participantes costumam tomar DI como proteção em dias de leilão e, depois da absorção da oferta, parte dessas posições é desfeita, o que favorece a queda das taxas. Para o gestor de portfólio da Ujay Capital, Otávio Aidar, o alívio também encontrou suporte em agentes interessados em aplicar nas taxas mais elevadas observadas no início do dia.
No exterior, os rendimentos dos Treasuries recuaram mesmo após a alta de 0,25 ponto porcentual promovida pelo Federal Reserve (Fed). Às 18h04, o juro da T-Note de 10 anos caía a 4,932%, ante 5,015% no dia anterior. O petróleo também cedeu: o Brent para novembro fechou a US$ 104,82 por barril, com perda de 0,95%.
O fechamento da curva refletiu a combinação entre descompressão externa e ajuste de posições no mercado doméstico, após a pressão inicial associada ao anúncio do Bolsa Família e ao leilão de prefixados do Tesouro Nacional.
Fonte: Estadão Conteúdo
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