
O preço médio do diesel nos Estados Unidos atingiu recorde nesta sexta-feira (4), a US$ 5,85 por galão, em meio aos efeitos da guerra com o Irã sobre o fluxo global de combustíveis. A alta já pressiona os custos de transporte e começa a chegar ao consumidor por meio de sobretaxas em entregas e de preços maiores de produtos, especialmente alimentos.
Como o diesel é amplamente usado no transporte de cargas, em máquinas agrícolas, barcos, trens e caminhões, o avanço do combustível se espalha por diferentes cadeias de produção. Entre os segmentos mais expostos estão alimentos perecíveis, como frutas, verduras, carnes e pescados, que dependem de transporte e reposição frequentes.
Segundo a associação automobilística AAA, o diesel está quase 56% mais caro do que antes do início da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã, no fim de fevereiro, quando a média nacional era de cerca de US$ 3,76 por galão. No mesmo período, o petróleo subiu com interrupções no abastecimento no Oriente Médio e gargalos no tráfego de petroleiros pelo Estreito de Ormuz. Nesta sexta-feira (4), o Brent era negociado acima de US$ 95 por barril, ante cerca de US$ 70 antes da guerra.
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A gasolina também avançou, embora em ritmo menor. O galão da comum estava em média a US$ 4,15, ante US$ 3,20 há um ano e US$ 2,98 antes da guerra. Segundo a AAA, o combustível nunca havia superado US$ 4 por galão durante o feriado do Dia do Trabalho.
A pressão aparece primeiro nos alimentos. De acordo com a Independent Grocers Alliance, que reúne 7,5 mil supermercados, combustíveis representam de 15% a 30% do custo total dos alimentos. Em julho, os preços de alimentos nos supermercados americanos subiram 2,7% na comparação anual, enquanto pescados avançaram 7% e frutas frescas, 4,9%.
David Ortega, professor de economia e política alimentar da Universidade Estadual de Michigan, afirmou que parte do choque é inicialmente absorvida por contratos de frete existentes e pelas margens do varejo. Segundo ele, à medida que os contratos são reajustados e as sobretaxas de combustível entram em vigor, uma parcela maior desse custo chega aos supermercados.
Empresas já começaram a repassar parte da pressão. Em abril, a Amazon implementou sobretaxa temporária de 3,5% por combustível e logística para alguns vendedores terceiros. UPS, FedEx e o Serviço Postal dos EUA também adicionaram taxas a algumas encomendas no início da guerra, citando o aumento dos custos de combustível.
Além do transporte de cargas, o encarecimento do diesel também alcança transporte público e geração de energia. Neil Atkinson, analista de energia e pesquisador sênior do National Center for Energy Analytics, afirmou que há pressão sobre o sistema global de refino à medida que os derivados ficam mais caros e os estoques físicos diminuem.
Fonte: Estadão Conteúdo
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