
A chegada de um novo El Niño pode elevar a frequência e a intensidade de ondas de calor no Brasil em 2026, além de agravar secas, incêndios e irregularidades no regime de chuvas. O alerta foi feito nesta terça-feira (11), durante o painel O que esperar do El Niño, realizado no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro, com participação de especialistas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), da Universidade de São Paulo (USP) e do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden).
A professora do Departamento de Meteorologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Renata Libonati, afirmou que as ondas de calor ainda são tratadas como um desastre negligenciado no país. Com base em dados do Sistema Único de Saúde (SUS) de 14 regiões metropolitanas, ela disse ter identificado 50 mil mortes motivadas por ondas de calor entre 2000 e 2020.
Segundo a pesquisadora, esse total é 20 vezes maior do que o número de mortes por deslizamentos de terra no mesmo período. Renata Libonati também apresentou dados que relacionam El Niño, ondas de calor, secas e incêndios. De acordo com ela, nos últimos 40 anos, as condições de perigo elevado de fogo cresceram cerca de 18% em anos de El Niño nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.
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O pesquisador José Marengo, do Cemaden, afirmou que os efeitos do fenômeno variam entre as regiões. No Sul, o El Niño costuma estar associado ao aumento das chuvas e ao maior risco de enchentes. No Norte e no Nordeste, a tendência é de redução das chuvas e aumento do risco de seca. No Centro-Oeste, pode haver atraso no início da estação chuvosa e mais ondas de calor. No Sudeste, a expectativa é de temperaturas elevadas e maior irregularidade das chuvas.
Marengo destacou que os efeitos do El Niño ultrapassam o campo meteorológico e podem atingir a produção de alimentos, o transporte, o fornecimento de energia e a economia. Para o setor agropecuário, o cenário reúne fatores ligados à distribuição de chuvas, à ocorrência de seca e ao avanço de condições favoráveis ao fogo em diferentes regiões do país.
No debate, o pesquisador Paulo Artaxo, da Universidade de São Paulo (USP), defendeu a aceleração das medidas de adaptação a um clima com temperaturas mais elevadas e eventos extremos mais frequentes. Segundo os especialistas, o El Niño funciona como um agravante de problemas já existentes e amplia os riscos associados ao calor, à seca, aos incêndios e à irregularidade climática.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br
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