O setor de proteínas animais vive momentos diferentes entre as cadeias de frango, suínos, bovinos e ovos, segundo avaliação do presidente da FACTA, Ariel Mendes, durante o Salão Internacional de Proteína Animal (Siavs 2026). A feira, que é a maior da América Latina voltada ao setor, termina nesta quinta-feira (6), em São Paulo.
Na avicultura de corte, o cenário é considerado positivo, principalmente pelo desempenho das exportações. Segundo Mendes, os embarques de carne de frango seguem em níveis recordes e a suspensão temporária das vendas para a União Europeia não deve provocar impactos relevantes nos volumes.
“Para frango, a gente está bem, com recordes de exportação. Mesmo essa questão do banimento, da suspensão das exportações para a União Europeia, não chega a nos afetar em termos de volumes, porque a gente já exporta pouco para a Europa”, afirmou.
A expectativa, de acordo com o presidente da FACTA, é que os embarques ao bloco europeu sejam retomados a partir de setembro.
Suinocultura enfrenta excesso de oferta
O cenário mais desafiador está na cadeia de suínos. Mendes explica que o setor atravessa uma crise que se estende praticamente por todo o ano de 2026, influenciada principalmente pelo excesso de produção e pela redução do consumo das famílias brasileiras.
“Existe um excesso de oferta de carne suína no mercado. E, segundo, a própria questão da economia brasileira, que não está bem. As famílias estão consumindo menos, e isso acaba chegando ao supermercado”, avaliou.
O presidente da FACTA ressaltou que a queda no consumo não pode ser atribuída apenas à mudança de hábitos das famílias, como maiores gastos com pets ou entretenimento, mas está relacionada a um cenário econômico mais amplo.
Bovinos sentem impactos de mercado externo
Na pecuária de corte, Mendes classificou o momento como atípico. Entre os fatores de pressão estão a suspensão das exportações para a União Europeia e o limite da cota de importação da China, de cerca de 1,1 milhão de toneladas.
Segundo ele, parte da carne que deixa de ser destinada a esses mercados está sendo redirecionada para outros compradores, mas esse processo ocorre de forma gradual.
“O setor de bovinos não consegue ser reprogramado rapidamente, porque é uma cadeia mais longa. A alternativa acaba sendo, em alguns casos, a suspensão de parte da produção em algumas plantas”, explicou.
Mercado de ovos mantém perspectiva positiva
Diferentemente das demais cadeias, o mercado de ovos apresenta um cenário favorável, com consumo aquecido e expectativa de crescimento nos próximos anos.
Para Mendes, o Brasil deve continuar registrando novos recordes de consumo do produto, impulsionado pela demanda interna.