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Preço do arroz em casca subiu 13,95% em julho animando o produtor

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O preço do arroz em casca subiu 13,95% em julho no Rio Grande do Sul e encerrou o mês cotado a R$ 68,63 por saca de 50 quilos. A reação ocorre após uma safra 13,1% menor e em meio ao anúncio de que o governo federal pretende comprar 310 mil toneladas do cereal para recompor os estoques públicos.

A cotação é do indicador elaborado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), em parceria com o Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga). A referência considera o produto com 58% de grãos inteiros, colocado na indústria e com pagamento à vista.

Na prática, o arroz valorizou cerca de R$ 8,40 por saca durante julho. Para um produtor que ainda tenha mil sacas armazenadas, o movimento representa uma valorização bruta próxima de R$ 8,4 mil. Esse ganho não considera despesas com armazenagem, juros, transporte e conservação do produto.

A recuperação beneficia principalmente quem conseguiu segurar parte da produção. O produtor que precisou vender durante ou logo após a colheita, para pagar custeio e fornecedores, não participa integralmente da alta.

Segundo o décimo levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a colheita da safra 2025/26 está tecnicamente encerrada nas principais regiões produtoras. No Rio Grande do Sul, os trabalhos terminaram em maio. As propriedades estão agora concentradas no manejo pós-colheita, na preparação das áreas e nas decisões sobre o próximo plantio.

A produção brasileira está estimada em 11,09 milhões de toneladas, queda de 13,1% em relação às 12,76 milhões de toneladas colhidas na temporada anterior. A área cultivada recuou 13,8%, para 1,52 milhão de hectares.

A produtividade média nacional, por outro lado, aumentou 0,9% e chegou a 7.295 quilos por hectare. O resultado mostra que a redução da produção foi provocada principalmente pelo corte na área, e não por uma quebra generalizada das lavouras.

O arroz irrigado respondeu por 10,44 milhões de toneladas, o equivalente a 94% da produção nacional. Já a produção do arroz de sequeiro caiu 43,7%, para 651,5 mil toneladas. A área dessa modalidade recuou 35,3%, pressionada pelos preços baixos e pela substituição por culturas como soja e milho.

No Rio Grande do Sul, foram cultivados 905,2 mil hectares. A produtividade média alcançou 8.641 quilos por hectare, favorecida pelo clima e pela boa qualidade dos grãos. O Estado continua responsável por aproximadamente 70% do arroz produzido no País.

A menor safra ajuda a reduzir o excesso de oferta, mas o mercado ainda carrega estoques elevados. A Conab calcula que a temporada 2025/26 começou com 2,19 milhões de toneladas armazenadas. O volume deverá cair para 1,68 milhão de toneladas até fevereiro de 2027.

A compra anunciada pelo governo corresponde a 2,8% da produção nacional e a cerca de 18% do estoque previsto para o fim da temporada. Dependendo da velocidade da operação, o volume pode retirar parte da oferta disponível e dar sustentação às cotações.

O governo reservou R$ 850 milhões para a aquisição de 310 mil toneladas de arroz e 180 mil toneladas de milho. Os produtos serão destinados à formação de estoques públicos e fazem parte das medidas preventivas para enfrentar possíveis problemas de produção e abastecimento associados ao El Niño.

Ainda não foram divulgados o preço que será pago, o cronograma, as regiões atendidas, os padrões de qualidade e a forma de participação dos produtores e das cooperativas. O anúncio oficial também não esclarece se toda a compra será realizada por meio da Aquisição do Governo Federal (AGF) ou se serão adotados outros instrumentos.

A definição dessas regras será decisiva para medir o efeito sobre a renda do produtor. Se a compra ocorrer rapidamente e alcançar as regiões com maior disponibilidade, poderá reduzir os estoques privados e fortalecer os preços. Se houver demora, exigências restritivas ou valores abaixo do mercado, o impacto poderá ser limitado.

As exportações também serão determinantes. A Conab projeta embarques de 2,1 milhões de toneladas em 2025/26, diante de 1,88 milhão na temporada anterior. A combinação entre exportações maiores, safra menor e formação de estoques públicos poderá aliviar o excedente que derrubou os preços no último ciclo.

Para o produtor, agosto será um mês de decisões comerciais e de planejamento. A valorização melhora a possibilidade de venda, mas a retenção do produto precisa considerar o custo financeiro e o risco de uma mudança no mercado. Ao mesmo tempo, o preço alcançado no fim de julho começa a influenciar a escolha da área que será destinada ao arroz na safra 2026/27

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