
As chuvas registradas entre 1º e 21 de maio melhoraram as condições de parte das lavouras no Brasil, mas não foram suficientes para reverter o quadro de risco no milho segunda safra plantado mais tarde no centro do país e no Matopiba. Em boletim divulgado nesta quinta-feira (22), a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) informou que a safra 2025/26 apresenta comportamento regional desigual, com recuperação em alguns estados e manutenção da pressão hídrica em outros.
Segundo a Conab, os maiores volumes de chuva ocorreram no norte da Região Norte, no leste do Nordeste e em parte da Região Sul. O cenário beneficiou o milho segunda safra no Pará e no Paraná, além de permitir o início da semeadura do feijão e do milho terceira safra no Sealba, região que abrange áreas de Sergipe, Alagoas e nordeste da Bahia.
Em Mato Grosso do Sul, parte de Mato Grosso e São Paulo, chuvas mais intensas em alguns períodos, combinadas com temperaturas mais baixas, ajudaram a preservar a umidade do solo e o desenvolvimento das lavouras. Em Mato Grosso, a maior parte das áreas teve precipitações suficientes para o enchimento de grãos, embora regiões do leste do estado, com plantio mais tardio, já apresentem redução de potencial produtivo.
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O quadro mais restritivo permanece em Goiás, Minas Gerais e no Matopiba. Em Goiás, a Conab informou que grande parte das lavouras entrou em fase reprodutiva sob redução ou ausência de precipitações, condição que já compromete o potencial da cultura no estado. Em Minas Gerais, chuvas fracas e irregulares também reduziram o potencial produtivo, e parte das áreas em desenvolvimento vegetativo não deverá ser colhida.
A análise por imagens de satélite mostra que o índice de vegetação ficou próximo ao da safra passada na maior parte das áreas monitoradas, com melhora em Mato Grosso do Sul e Paraná. Já em Goiás, Minas Gerais e no Matopiba, houve deterioração do indicador. No Matopiba, o boletim registra atraso no plantio, possível redução de área e antecipação do ciclo nas lavouras tardias.
Na soja, a colheita está praticamente encerrada, com 97% da área colhida no Rio Grande do Sul. No trigo, Paraná e Mato Grosso do Sul apresentam boas condições iniciais, enquanto Goiás e Minas Gerais seguem em atenção no cultivo de sequeiro. No algodão, Mato Grosso e Bahia mantêm desenvolvimento considerado satisfatório.
O boletim da Conab indica que a regularidade das chuvas nas próximas semanas seguirá como fator decisivo para consolidar ou limitar o potencial produtivo das áreas mais tardias, especialmente no milho segunda safra de sequeiro. Sem novos volumes consistentes, a recuperação tende a permanecer regionalizada.
Fonte: Estadão Conteúdo
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