
A produtividade média da soja brasileira avançou de forma significativa ao longo dos 18 anos de realização do Desafio Nacional de Máxima Produtividade de Soja. Nesse período, enquanto produtores passaram a alcançar patamares cada vez mais elevados nas áreas de alto desempenho, tecnologias e práticas de manejo também se disseminaram pelo país, contribuindo para elevar a eficiência das lavouras comerciais.
Esse movimento está no centro da atuação do Comitê Estratégico Soja Brasil (Cesb), que busca não apenas identificar até onde pode chegar o potencial produtivo da cultura, mas fazer com que o conhecimento gerado nas lavouras de alta performance alcance um número cada vez maior de produtores.
“O grande objetivo do Cesb é aumentar a produtividade da soja no Brasil, em duas direções. Uma direção é vertical: como que a gente alcança os máximos índices de produtividade, que é a que esse desafio se propõe. E um outro, tão importante como esse, é o crescimento horizontal da produção: quantas pessoas estão conseguindo produzir mais do que produziam, como está aumentando de verdade a produtividade da soja, não só entre os campeões, mas em toda a comunidade plantadeira de soja no Brasil”, afirma o presidente do Cesb, Daniel Glat.
A busca por produtividade, eficiência e rentabilidade está entre os principais desafios da sojicultura brasileira. Em um cenário no qual ampliar a produção não significa necessariamente aumentar a área cultivada, estratégias para aproveitar melhor o potencial de cada hectare ganham importância no planejamento das propriedades.
Foi com esse objetivo que o Cesb realizou a 18ª edição do Fórum Nacional de Máxima Produtividade de Soja, nos dias 7 e 8 de julho, em Indaiatuba (SP). O encontro, que tem a Union Agro como patrocinadora, reuniu produtores, consultores, pesquisadores e lideranças do agronegócio para apresentar resultados de lavouras de alto desempenho e discutir tecnologias e práticas voltadas a uma produção mais eficiente e sustentável.
Além de reconhecer os melhores resultados da safra, o fórum busca transformar as experiências das áreas participantes em conhecimento que possa ser analisado e adaptado às diferentes realidades da sojicultura brasileira.
A abrangência alcançada pelo desafio ajuda a dimensionar a disseminação dessa busca por produtividade. No 18º Desafio Nacional de Máxima Produtividade de Soja, referente à safra 2025/26, foram registradas mais de 5.300 inscrições, provenientes de 1.075 municípios e envolvendo cerca de 5.800 profissionais.
Ao todo, 921 áreas foram auditadas. Nessas lavouras, a produtividade média chegou a 97,25 sacas por hectare, patamar significativamente superior à média brasileira.
“O Cesb é um projeto que está espalhado no Brasil e dando resultados no Brasil inteiro”, destaca Glat.
A região Sul concentrou o maior número de participantes, com 2.426 inscritos e 359 áreas auditadas. A produtividade média nessas propriedades chegou a 99,3 sacas por hectare.
O Centro-Oeste apareceu na sequência, com 1.274 inscritos, 205 áreas auditadas e produtividade média de 92,54 sacas por hectare. No Sudeste, foram 903 inscrições e 192 áreas auditadas, com média de 95,98 sacas por hectare.
O Nordeste registrou 465 inscritos e 101 áreas auditadas e apresentou a maior produtividade média entre as regiões, com 104,65 sacas por hectare. Já o Norte contabilizou 232 inscrições, 64 áreas auditadas e média de 80,68 sacas por hectare.
Os números mostram que a busca por alta produtividade não está restrita a uma única fronteira agrícola e envolve produtores submetidos a diferentes condições de solo, clima e sistemas de produção.
Recorde de 156,13 sacas por hectare
Um dos destaques do fórum foi a premiação do Desafio Nacional de Máxima Produtividade de Soja, iniciativa que reconhece os melhores resultados obtidos em áreas auditadas pelo Cesb.
Na categoria Sequeiro, o grupo Agrícola, do produtor Lourival Ruthes, conquistou os títulos nacional e da região Sul. A lavoura atingiu 156,13 sacas por hectare, estabelecendo um novo recorde do Cesb.
Na categoria Irrigado, o título nacional ficou com o produtor Luis Fernando Benaglia, que alcançou 138,97 sacas por hectare.
Os resultados evidenciam o potencial produtivo das lavouras quando fatores como qualidade de plantio, manejo nutricional, sanidade e tecnologia são trabalhados de forma integrada e de acordo com as características de cada ambiente.
Alta produtividade em diferentes regiões
A premiação também reconheceu produtores de diferentes regiões do país, reforçando a diversidade de ambientes em que a soja brasileira é cultivada.
Na categoria Sequeiro, o Nordeste teve como vencedor o grupo Gorgen, com 143,77 sacas por hectare. No Sudeste, a Agropecuária Três Irmãos conquistou o primeiro lugar regional, com 122,66 sacas por hectare.
No Centro-Oeste, Rodolfo Schlatter foi o campeão ao atingir 118,68 sacas por hectare. Já no Norte, Pedro Foresto Crispim alcançou 136,64 sacas por hectare.
Os resultados reforçam a importância de estratégias ajustadas às particularidades de cada região, considerando fatores como solo, clima, disponibilidade hídrica e sistema de produção.
Além da premiação, os dois dias de programação foram dedicados a temas diretamente ligados às decisões tomadas na lavoura. Entre os assuntos discutidos estiveram estabelecimento da cultura e qualidade do plantio, agricultura digital e de precisão, sanidade em sistemas de alta produtividade e manejo nutricional da soja.
A proposta foi aproximar as experiências das áreas de máxima produtividade da realidade dos produtores, permitindo que técnicas e conceitos sejam avaliados e adaptados às condições de cada propriedade.
Elevar a produtividade é um dos caminhos para fortalecer a competitividade da cadeia da soja. Produzir mais na mesma área permite buscar melhor aproveitamento dos recursos disponíveis e maior eficiência dos investimentos realizados ao longo do ciclo.
Nesse contexto, o Desafio Nacional de Máxima Produtividade funciona como uma vitrine de experiências e resultados obtidos em diferentes ambientes de produção. Ao mesmo tempo, o volume de participantes e a presença em mais de mil municípios mostram a tentativa de levar os ganhos para além das propriedades campeãs.
De olho na próxima safra
Ao reunir produtores, especialistas e pesquisadores, o Fórum Nacional de Máxima Produtividade de Soja amplia o debate sobre como produzir mais e melhor a partir do uso eficiente dos recursos disponíveis.
Enquanto a premiação reconhece os resultados obtidos no campo, a programação técnica contribui para disseminar práticas e tecnologias que podem auxiliar o produtor na tomada de decisão e no desenvolvimento de sistemas mais produtivos, sustentáveis e rentáveis.
Com mais de 5,3 mil inscrições, produtividade média de 97,25 sacas por hectare entre as áreas auditadas e um novo recorde de 156,13 sacas por hectare na categoria Sequeiro, a 18ª edição reforçou as duas frentes defendidas pelo Cesb: avançar nos limites máximos de produtividade e, ao mesmo tempo, ampliar os ganhos entre produtores de diferentes regiões do país.
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